segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Plotino – Sobre a Essência da Alma – Parte 22


Para que se possa ter um conhecimento básico sobre a essência da Alma segundo Plotino, é de fundamental importância não perder de vista a visão plotiniana da realidade. Conforme Plotino, a realidade tem origem no Uno, aquele que é absoluto em si mesmo e para si mesmo, sendo que nada existe fora dele ou além dele, e tudo o que existe, tem e mantém a sua existência nele. No entanto, apesar de tudo o que existe existir nele, ele, o Uno, está além de tudo o que existe, ou seja, Plotino não defende o Panteísmo e sim o Pananteísmo.
O Uno de Plotino não demonstra amor, desejos e nem cuida individualmente de cada criatura, como acontece em outras crenças. O Uno de Plotino é tão absoluto e autossuficiente que não podemos nem lhe conceber o atributo de pensar no sentido humano, pois, pensar é pensar em algo, e como já dito anteriormente, nada existe fora dele, nem alem dele, sobre o qual ele possa pensar, no sentido humano.
Do Uno surge, pela permanência do Uno em si mesmo e para si mesmo, sem um ato criador, mas como um fluir da imagem de si mesmo, o Espírito ou Intelecto. Este Espírito Intelecto obtém e mantém a sua existência através da sua contemplação do Uno e enquanto contemplar o Uno. O Espírito ou Intelecto é o primeiro Ser com os atributos do Ser como conhecemos no diálogo “O Sofista” de Platão. Ele contém em si mesmo a identidade, a diferença, o movimento, o repouso e, ele é.
“und dies ist gleichsam das erste Werden. Denn da es vollkommen ist, weil es nichts sucht noch hat noch bedarf, so floss es gleichsam über und seine Ueberfülle brachte anderes hervor; das Gewordene aber wandte sich hin zu ihm und wurde erfüllt und blickte auf es und wurde so Intellect”. Plotin, (Enneaden V.2.1) Digitale Bibliothek Band 2: Philosophie, S. 7369.
“E este é, por assim dizer, o primeiro gênesis. Pois, como ele, {o Uno}, é perfeito, e porque ele nada procura, tem ou necessita, ele então fluiu, por assim dizer, e sua superabundância fez surgir um outro; mas este que veio a ser, voltou-se para ele, {o Uno} e tornou-se preenchido, e olhando para ele, {para o Uno}, tornou-se assim intelecto”. Plotino (En. V.2.1)
O Espírito Intelecto é o criador do mundo inteligível, o mundo das ideias e das formas, o mundo verdadeiramente real e permanente. Do Espírito ou Intelecto, também a partir da permanência do Espírito em si mesmo, pensando a si mesmo na identidade e na diferença, surge a Alma Universal ou a Alma do Mundo. Esta por sua vez, contemplando o Espírito Intelecto, cria o Universo sensível como o conhecemos. Bem-vindos a Matrix !!
Esta cosmogonia de Plotino serve tanto para explicar o surgimento do mundo inteligível, verdadeiramente real e eterno, como também o mundo sensível, o mundo ilusório, sujeito ao tempo e ao devir.
Entretanto, para Plotino, somente com a existência do Uno, do Espírito Intelecto e da Alma universal, não era possível explicar plausivelmente a individualidade, intencionalidade, e outras características dos seres vivos. Era necessário introduzir ainda, outro ser divino e eterno nesta hierarquia das Hipóstases, a saber, a Alma Individual, para atuar como intermediadora entre os dois mundos. Plotino se depara então com a seguinte questão: A Alma Individual e a Alma Universal são uma só ou várias? Existe uma só alma ou muitas almas? Plotino dedica todo um livro para tratar desta questão: “Sobre a Pergunta se Todas as Almas são Uma” (En. IV.9).
Sobre isto pretendo escrever no próximo artigo, mas já posso adiantar que Plotino é fiel à teoria que apresentou no livro sobre a “Descida da alma para os corpos” (En. IV.8.3), ou seja, ele defende tanto a união como a diferença das almas.

Ezequiel Martins Paz
Palavras entre [] são do Autor Alemão
Palavras entre {} são do Tradutor.

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