quarta-feira, 13 de julho de 2011

Plotino – Sobre a Essência da Alma – Parte 21

 Um dos temas mais buscados neste Blog são os artigos sobre a alma. Plotino realizou um extenso estudo sobre a alma, estudo este que é considerado um dos mais profundos da antiguidade. Como este é também um de meus temas de estudo em Plotino, estarei disponibilizando aqui, alguns recortes selecionados e resumidos, destes meus estudos. Talvez um dia, se estes estudos forem frutíferos, eles venham a se tornar públicos por completo, em forma de livro.

 A alma é considerada por Plotino como o elemento de conexão entre o mundo inteligível, aquele dos seres reais, que não estão sujeitos ao “devir”, ao vir a ser e ao deixar de ser, e entre o mundo sensível, aquele dos seres que nascem, morrem, surgem e deixam de ser. Aquilo que existe de comum entre estes dois mundos nós denominamos Ser. A alma ocupa uma posição importantíssima na metafísica de Plotino, pois, é um ser de natureza divina que atua, tanto no mundo ideal, como também no mundo sensível. Ela está indivisível no mundo ideal e dividida não como os corpos, mas nos corpos sensíveis deste mundo sensível.

 Em ordem cronológica, Plotino trata sobre a alma predominantemente nos livros IV e II da Quarta Enéada.
Segue o texto de Richter, que introduz seu comentário sobre este tema.

Tradução:
Plotino pressupõe de um lado seres que são divisíveis e unificados pela natureza. Neles nenhuma parte é igual à outra e nem ao todo, mas sim, cada parte é menor do que o todo. De tal modo são as grandezas e as massas materiais que podem ser percebidas pelos sentidos, as quais ocupam cada uma um lugar material, e não podem estar ao mesmo tempo em vários lugares.
Destas se deve diferenciar uma substância com natureza inversa, que não é capaz de nenhuma divisão, não-dividida e indivisível, ela não necessita de nenhum lugar, não está nem parcialmente nem totalmente inclusa em outro ser, está distribuída de forma homogênea através de todos os seres, pois sem ela nada pode existir, {possui}uma essência de comportamento eternamente igual, {e é} o princípio de todas as coisas que surgem após ela. –
Entre estas duas substâncias, o ser ideal indivisível e princípio de todos os seres, e entre a natureza sensível e divisível, existe, antes dos seres sensíveis, entretanto depois da primeira natureza ideal, uma terceira substância, que não é da mesma maneira divisível como os corpos, divisível, entretanto, nos corpos; (RICHTER, 1867. Pág. 109).

Richter, Arthur. Neu-Platonische Studien – Halle 1867. (Esta obra está dividida em 5 cadernos (Heft): Heft I Leben und Philosophie des Plotins, Heft II Lehre vom Sein, Heft III Theologie und Physik, Heft IV Psycologie, Heft V Ethik. Richter procurou fazer um apanhado de quase todas as principais obras que lhe eram conhecidas até então sobre o Neoplatonismo, e também, apresentou a sua própria interpretação da filosofia plotiniana. Profundo, preciso, e quase neutro, pois apresenta tendências cristãs.

Ezequiel Martins Paz
Palavras entre [] são do Autor Alemão
Palavras entre {} são do Tradutor.

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