domingo, 10 de abril de 2011

Plotino – Panteísmo

    Para ser claro, segundo Richter, não há categoricamente, nenhuma evidência nos escritos de Plotino, que demonstrem uma visão panteísta. (RICHTER, 1867. Heft I, pág. 46-47)
Esta teoria é construída equivocadamente, quando se lê Plotino fora do contexto, ou seja, não levando em conta sua visão filosófica distribuída na totalidade de seus escritos.


Definição de panteísmo: Doutrina segundo a qual, tudo é Deus. Deus e o mundo são apenas um; o que pode entender-se em dois sentidos fundamentais: 1- Só Deus é real, o mundo não é senão um conjunto de manifestações que não têm nem realidade permanente, nem substância distinta. 2- Só o mundo é real, Deus não é senão a soma de tudo o que existe. (LALANDE, 1999. Pag. 787)
Plotino fala de uma onipresença (Allgegenwart) de Deus, no entanto, somente de uma onipresença de seu poder (Kraft) e ação (Wirkung). O Uno, ou Deus, está com relação a todos os entes, ou seres existentes, em absoluta transcendência.
   O texto onde Plotino claramente expõe a transcendência do Uno se encontra na En. IX, livro 9, cap. 1 e 2. Neste trecho, Plotino diferencia a existência independente do Uno com relação ao intelecto, a alma, e ao mundo. Tudo o que existe no mundo sensível e no mundo inteligível, tem sua existência e subsistência no Uno, mas o uno não é particularmente, nada do que existe. O Uno transcende tudo o que existe e tudo que possui existência. A teoria que suporta mais de perto esta ideia chama-se: Panenteísmo (Tudo está em Deus).
Além deste argumento, o conceito de Plotino sobre a matéria contradiz toda e qualquer teoria de panteísmo, pois a matéria como o absoluto não-ser e o absoluto mal, é ainda um ser, e como tal, distinto do Uno que transcende a todos os seres.
No próximo texto falarei sobre a teoria da emanação.

Lalande, Andre. Vocabulário Técnico e Científico da Filosofia, Martins Fontes. São Paulo. 1999.
Richter, Arthur. Neu-Platonische Studien – Halle 1867. Heft I, pág. 46-47

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