domingo, 27 de fevereiro de 2011

Plotino – A Ordem e Organização de Seus Textos – Parte II

    Como anunciado na última postagem, vou apresentar hoje a ordem utilizada por Porfírio para estruturar os textos de Plotino e também a provável intenção de Porfírio ao agir desta maneira.

    O fato básico nesta reorganização dos textos de Plotino é que, Porfírio optou por uma divisão temática e não por uma organização cronológica dos textos. Ou seja, Porfírio optou por agrupar os textos segundo o que ele entendeu como os principais temas filosóficos abordados por Plotino. A saber, Ética, Física (mundo natural), a Alma, o Espírito (nous), o Uno. Adicionalmente, ordenou os textos segundo a dificuldade de compreensão dos mesmos, partindo do mais fácil até o mais difícil. Já mencionei na postagem anterior que, para alcançar esta reorganização temática em conjunto com sua “brincadeira” numérica (54 livros), Porfírio precisou transformar capítulos em livros e dividir livros em partes. Assim sendo, as seis Enéadas estão assim distribuídas tematicamente:
Enéadas I trata preponderantemente de ética.
Enéadas II trata preponderantemente de física.
Enéadas III trata preponderantemente de física, se bem que os livros IV e V parecem não se encaixarem no contexto.
Enéadas IV trata preponderantemente sobre a alma.
Enéadas V trata preponderantemente sobre o espírito, mas também de outros temas.
Enéadas VI trata preponderantemente sobre o Uno.

    Para os leitores com uma postura crítico contemplativa, ou seja, procuram inspiração para suas crenças, esta ordem de leitura apresentada por Porfírio é suficiente e inspiradora. Richter aconselha, entretanto, que a Enéada sobre ética seja realocada para o final, pois, somente após um conhecimento básico da filosofia de Plotino, será possível compreender sua visão sobre ética.

    Já para os leitores com uma postura crítico filosófica, é aconselhável que a leitura seja feita seguindo a ordem cronológica dos textos. Richter segue a ordem apresentada por Adolf Kirchhoff, em sua obra: Plotini Opera Recognovit, Leipzig 1856. Kirchhoff reorganizou os livros em ordem cronológica, com base nos dados deixados por Porfírio na biografia de Plotino. Os livros divididos foram reconstituídos e a quantidade total retornou a 48 livros.
    Recentemente 1951-1973, Paul Henry e H. R. Schwyzer redivulgaram os textos de Plotino em grego revisado, obra esta que é considerada atualmente como a principal referência entre os estudiosos de Plotino. Nesta obra, a ordem dos textos segundo Porfírio foi preservada, infelizmente. Entretanto, a ordem cronológica dos textos, também segundo Porfírio (54 livros), é constantemente mencionada entre parênteses.

    Segue a ordem das Enéadas segundo Porfírio e conforme apresentada no índice da edição de P. Henry e H. R. Schwyzer:

I,1 Τί τὸ ζῷον καὶ τίς ὁ ἄνθρωπος (53)
I,2 Περὶ ἀρετῶν (19)
I,3 Περὶ διαλεκτικῆς (20)
I,4 Περὶ εὐδαιμονίας (46)
I,5 Εἰ ἐν παρατάσει χρόνου τὸ εὐδαιμονεῖν (36)
I,6 Περὶ τοῦ καλοῦ (1)
I,7 Περὶ τοῦ πρώτου ἀγαθοῦ καὶ τῶν ἄλλων ἀγαθῶν (54)
I,8 Τινὰ καὶ πόθεν τὰ κακά (51)
I,9 Περὶ τῆς ἐκ τοῦ βίου εὐλόγου ἐξαγωγῆς (16)
II,1 Περὶ τοῦ κόσμου (40)
II,2 Περὶ τῆς κυκλοφορίας (14)
II,3 Εἰ ποιεῖ τὰ ἄστρα (52)
II,4 Περὶ τῶν δύο ὑλῶν (12)
II,5 Περὶ τοῦ δυνάμει καὶ ἐνεργείᾳ (25)
II,6 Περὶ ποιότητος καὶ εἴδους (17)
II,7 Περὶ τῆς δι' ὅλων κράσεως (37)
II,8 Πῶς τὰ πόρρω ὁρώμενα μικρὰ φαίνεται (35)
II,9 Πρὸς τοὺς Γνωστικοῦς (33)
III,1 Περὶ εἱμαρμένης (3)
III,2 Περὶ προνοίας πρῶτον (47)
III,3 Περὶ προνοίας δεύτερον (48)
III,4 Περὶ τοῦ εἰληχότος ἡμᾶς δαίμονος (15)
III,5 Περὶ ἔρωτος (50)
III,6 Περὶ τῆς ἀπαθείας τῶν ἀσωμάτων (26)
III,7 Περὶ αἰῶνος καὶ χρόνου (45)
III,7 Περὶ φύσεως καὶ θεωρίας καὶ τοῦ ἑνός
III,9 Ἐπισκέψεις διάφοροι (13)
IV,2 Περὶ οὐσίας ψυχῆς, πρότερον (4)
IV,3 Περὶ ψυχῆς ἀποριῶν, πρῶτον (27)
IV,4 Περὶ ψυχῆς ἀποριῶν, δεύτερον (28)
IV,5 Περὶ ψυχῆς ἀποριῶν, τρίτον (29)
IV,6 Περὶ αἰσθήσεως καὶ μνήμης (41)
IV,7 Περὶ ἀθανασίας (2)
IV,8 Περὶ τῆς εἰς τὰ σώματα καθόδου τῆς ψυχῆς (6)
IV,9 Εἱ πᾶσαι αἱ ψυχαὶ μία (8)
V,1 Περὶ τῶν τριῶν ἀρχικῶν ὑποστάσεων (10)
V,2 Περὶ γενέσεως καὶ τάξεως τῶν μετὰ τοῦ πρώτου (11)
V,3 Περὶ τῶν γνωριστικῶν ὑποστάσεων καὶ τοῦ ἐπέκεινα (49)
V,4 Πῶς απὸ τοῦ πρώτου τὰ μετὰ τὸ πρῶτον καὶ περὶ τοῦ Ἑνός (7)
V,5 Ὅτι οὐκ ἔξω τοῦ νοῦ τὰ νοητὰ καὶ περὶ τἀγαθοῦ (32)
V,6 Περὶ τοῦ τὸ ἐπέκεινα τοῦ ὄντος μὴ νοεῖν καὶ τί τὸ πρώτως νοοῦν καὶ τὸ δευτέρως (24)
V,7 Εἰ καὶ τῶν καθέκαστα εἰσὶν εἴδη (18)
V,8 Περὶ τοῦ νοητοῦ κάλλους (31)
V,9 Περὶ νοῦ καὶ τῶν ἰδέων καὶ τοῦ ὄντος (5)
VI,1 Περὶ τῶν γενῶν τοῦ ὄντος πρῶτον (42)
VI,2 Περὶ τῶν γενῶν τοῦ ὄντος δεύτερον (43)
VI,3 Περὶ τῶν γενῶν τοῦ ὄντος τρίτον (44)
VI,4 Περὶ τοῦ τὸ ὂν ἓν καὶ ταὐτὸ ὂν ἅμα πανταχοῦ εἶναι ὅλον πρῶτον (22)
VI,5 Περὶ τοῦ τὸ ὂν ἓν καὶ ταὐτὸ ὂν ἅμα πανταχοῦ εἶναι ὅλον δεύτερον (23)
VI,6 Περὶ ἀριθμῶν (34)
VI,7 Πῶς τὸ πλήθος τῶν ἰδέων ὑπέστη καὶ περὶ τἀγαθοῦ (38)
VI,8 Περὶ τοῦ ἑκουσίου καὶ θελήματος τοῦ ἑνός (39)
VI,9 Περὶ τἀγαθοῦ ἢ τοῦ ἑνός (9)

Ezequiel Martins Paz

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