sábado, 22 de janeiro de 2011

Plotino – Sobre a Essência da Alma – Parte 20

    Prezados Leitores que estão acompanhando esta série de textos de Plotino sobre a Essência da Alma.
Peço desculpas pela longa ausência de textos e por interromper esta sequência das Enéadas. A razão para esta alteração se deu, devido a um desenvolvimento natural mais acurado sobre a filosofia de Plotino e seus textos que eu pude absorver, ao estudar alguns dos mais brilhantes e profundos estudiosos do Neoplatonismo que viveram nos séculos XVIII e XIX.
    Para minha felicidade (no que se refere à linguagem e excluindo qualquer nacionalismo) eles são alemães, o que me permitiu estudá-los confortavelmente no texto original, quando escreveram em Alemão, e menos confortavelmente quando se utilizaram do Latim. Segue os nomes e as obras destes brilhantes pensadores que aumentaram ainda mais a minha adimiração pelo metafísico per excelence, Plotino:

Tiedemann, Dieterich. Geist der Speculativen Philosophie, Marburg 1793 (ainda escrito em Alemão Gótico, também Influenciou Hegel e Schelling, segundo RICHTER 1864, pag. 15).

Steinhard, Karl Heinrich August. Quaestionum de Dialectia Plotini Ratione, Numburg 1829. Meletemata Plotiniana, Numburg 1840. (escreveu em Latin, muito considerado e citado por Richter e Kirchner. Não o estudei por completo).

Zeller, Eduard. Die Philosophie der Griechen – Dritter Teil, Tübingen 1852. (Ele trata de forma fenomenal quase todas as correntes da filosofia pós-aristotélica incluindo o Neoplatonismo).

Kirchner, Karl Hermann. Die Philosophie des Plotins, Halle 1854. (Excelente, mas com tendencia hegeliana de forçar a filosofia de Plotino em um sistema).

Richter, Arthur. Neu-Platonische Studien – Halle 1867. (Esta obra está dividida em 5 cadernos (Heft): Heft I Leben und Philosophie des Plotins, Heft II Lehre vom Sein, Heft III Theologie und Physik, Heft IV Psycologie, Heft V Ethik. Richter procurou fazer um apanhado de quase todas as principais obras que lhe eram conhecidas até então sobre o Neoplatonismo, e também, apresentou a sua própria interpretação da filosofia plotiniana. Profundo, preciso, e quase neutro, pois apresenta tendências cristãs. Minha principal referência). Foi Richter quem me chamou a atenção sobre alguns problemas referentes aos textos de Plotino, problemas estes, que me levaram a repensar minha forma de como irei apresentá-los e traduzi-los no futuro.

Segue a tradução do texto abaixo.
    “Mas antes de falarmos sobre isto {sobre a teoria do ser}, devemos chamar a atenção para as dificuldades que precisaremos transpor ao fazê-lo, as quais estão na natureza e na característica da fonte, na qual a filosofia de Plotino foi depositada, a saber, nos seus escritos. Eles são um número de tratados produzidos notoriamente sem plano, que aparentemente não estão conectados uns com os outros, e na ordem que nos foram transmitidos, não correspondem de forma alguma a um desenvolvimento do pensamento interior, e sobre cada um deles em particular, no que diz respeito a objetivo, conteúdo, modo de apresentação, método, resultado, linguagem, características do texto e fonte de onde fluíram, apresentam para sua compreensão a maior dificuldade, de tal maneira, que raramente encontramos como aqui, tal desarmonia entre conteúdo e forma, pensamento e palavra”. RICHTER 1867, Heft II, pag. 7

    Em simples palavras, o que Richter está querendo nos dizer, é que a natureza e a característica dos textos de Plotino, assim como eles nos foram transmitidos, são de difícil compreensão. Há uma desarmonia entre a ordenação exterior dos textos e a profundidade e a beleza do seu conteúdo. Na prática, isto significa que uma tradução dos textos de Plotino, por melhor que ela seje, se não for acompanhada de um comentário explicativo ou introdutório, que posicione o texto no corpo da filosofia plotiniana, pode não trazer resultado algum para o leitor, ou produzir até mesmo um resultado negativo, levando o leitor a interpretações errôneas desta profunda filosofia. Por isso, para não cometer equívocos muito grosseiros, e para facilitar a compreensão destes profundos textos, tanto por leigos como por filósofos, penso ser sensato seguir uma ordem baseado em Richter, e apresentar os textos contemplando os temas principais da filosofia de Plotino. Junto a cada tradução, vou procurar adicionar um comentário correspondente, oriundo das brilhantes obras, acima mencionadas. Espero poder manter uma frequência nas postagens e espero não decepcioná-los.



Ezequiel Martins Paz
Palavras entre [] são do Autor Alemão
Palavras entre {} são do Tradutor.

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