quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Plotino – Sobre a Essência da Alma – Parte 19


Enéada IV, Livro 3.16
Sobre a Alma ou Sobre Aporias Psicológicas (I)

16_ O castigo, pois, imposto com razão sobre aos maus, se deve atribuir apropriadamente para a ordem que dirige convenientemente todas as coisas. Mas aquilo que acontece aos bons injustamente, como os castigos, a pobreza, as doenças: deve-se identificar isto como uma consequência de antigos pecados? Isto está coentrelaçado [no todo] e anuncia-se previamente, de tal forma que aparentemente também acontece segundo a razão. Entretanto isto não acontece segundo uma razão naturalmente necessária e não estava em sua intenção, pelo contrário, foi uma consequência involuntária. Se por exemplo, um prédio desaba então ele esmaga aquele, que lá em baixo venha a se abrigar, seja ele quem for; ou se duas coisas ou mesmo somente uma forem movimentadas continuamente em certa ordem, então aquilo que lhe vier no caminho será danificado ou exterminado. Talvez até esta [aparente] injustiça, em todo caso nenhuma alavanca para aquele que a sofre, seja de utilidade para a coesão do todo. Aquilo que acontece com base em circunstâncias anteriores, não é nada injusto. Pois não se deve crer, que algumas coisas foram decididas em certa ordem, e outras deixadas a sua própria vontade. Pois se tudo deve acontecer segundo causas e consequências naturais, segundo uma base de pensamento e uma ordem, então se deve supor que também as pequenas coisas sejam coorganizadas e entrelaçadas dentro {desta ordem}. Certamente a injustiça infligida por alguém a um outro é um mal para o feitor, e ele não esta livre da responsabilidade, mas como ela foi também intro organizada no universo, assim nele, ela não é nenhuma injustiça, também não contra aquele que sofreu o mal, pelo contrário, ela era assim necessária. Se o sofredor é bom, então esta {injustiça} se transforma para o seu bem. Pois não se pode crer, que esta ordem seja ímpia ou injusta, mas sim, se deve vê-la como uma retribuição correspondente e precisamente comedida, que possui suas causas ocultas e dá para aqueles que não as conhecem, razão para crítica.
Ueber die Seele oder Ueber psychologische Aporien (I)

16_ Die mit Recht über die Bösen verhängten Strafen nun muss man füglich der Ordnung zuschreiben, die da alles gebührend leitet. Was aber den Guten mit Unrecht zustösst, wie Züchtigungen, Armuth, Krankheit: soll man das als eine Folge früherer Sünden bezeichnen? Es ist dies ja mit verflochten [in das Ganze] und kündigt sich im voraus an, so dass es anscheinend gleichfalls nach der Vernunft geschieht. Jedoch geschieht es nicht nach naturnothwendiger Vernunft und es lag nicht in der Absicht, sondern war eine unbeabsichtigte Folge. Wenn z.B. ein Gebäude einstürzt, so erschlägt es den, der darunter zu. Hegen kommt, gleichviel wer er ist; oder wenn zwei Dinge oder auch nur eins in bestimmter Ordnung fortbewegt werden, so wird das ihnen in den Weg kommende beschädigt oder vernichtet. Vielleicht ist sogar dieses [scheinbare] Unrecht, ohnehin kein Hebel für den der's leidet, von Nutzen für den Zusammenhang des Ganzen. Was auf Grund früherer Verhältnisse geschieht, ist doch wohl nichts unrechtes. Denn man darf nicht glauben, dass einiges in einer bestimmten Ordnung beschlossen, anderes dem eigenen Belieben überlassen ist. Denn wenn alles nach Ursachen und natürlichen Consequenzen, nach einem Gedanken [Grunde] und einer Ordnung geschehen muss, so muss man annehmen, dass auch die kleineren Dinge mit hineingeordnet und verwebt sind. Gewiss ist das von dem einen dem andern zugefügte Unrecht ein Uebel für den Thäter und er ist der Verantwortung nicht los und ledig, da es aber mit eingeordnet worden im All, so ist es in jenem kein Unrecht, auch nicht gegen den der's erlitten, sondern es war so nothwendig. Ist der Leidende gut, so schlägt dieses ihm zum Guten aus. Denn man darf nicht glauben, dass diese Einordnung gottlos oder ungerecht sei, sondern muss sie als eine genau abgemessene und entsprechende Widervergeltung ansehen, die ihre verborgenen Ursachen hat und denen, die sie nicht kennen, Veranlassungen zum Tadel giebt.
Ezequiel Martins Paz
Tradução do texto alemão de Hermann Friedrich Müller, 1878.
Palavras entre [] são do Autor Alemão
Palavras entre {} são do Tradutor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário