quarta-feira, 7 de julho de 2010

Plotino – Sobre a Essência da Alma – Parte 15


Enéada IV, Livro 3.12
Sobre a Alma ou Sobre Aporias Psicológicas (I)

12_ Mas as almas dos homens, que veem as suas próprias imagens como no espelho de Dionysos, receberam lá {no homen} o seu lugar após de cima terem descido apressadamente, sem que nisto elas tenham sido também cortadas da sua origem e da inteligência. Pois elas não vieram junto com a inteligência, mas sim, se estenderam até a terra, porém a sua cabeça permanece firme ancorada acima do céu. Mas elas precisavam descer mais além, pois a sua parte intermediária foi forçada a tomar cuidado, pois aquilo, para o qual elas se estenderam, necessitava de cuidados. Mas o pai Zeus, que por compaixão dos medos delas, fez mortal a prisão na qual elas sofriam, proporcionou-as descanso, sendo que de vez em quando as liberta, para que também elas possam chegar lá, onde a alma do mundo se mantém continuamente sem interferência das terrenas. Pois aquilo que o universo possui, já é para ele suficiente e será para ele suficiente, já que ele, será consumado segundo as ideias eternamente fixas no tempo, e após certos tempos, irá sempre ser restituído ao mesmo estado de acordo com determinados períodos de vida, onde ele direciona estas [coisas terrenas] para aquelas e segundo aquelas [do mundo inteligível], mas estas serão consumadas quando todas forem subjugadas a uma ideia, e seja isto durante a descida ou a subida da alma e assim também com relação a todas as demais coisas em geral. A favor da harmonização das almas com a ordem deste universo, de tal maneira que estas não dependam dele, mas sim, que em sua descida elas mesmas se conectem a ele e causem uma contínua concordância com o movimento circular, testemunha o fato de que, o destino delas, suas vidas e suas resoluções é caracterizado através da posição dos astros, que [as esferas] emitem um som harmonioso por assim dizer, e que isto se interpretou preponderantemente segundo a analogia da música e da harmonia. Isto não seria possível, se todo o fazer e sofrer do universo não fosse orientado segundo aquelas {almas}, nos giros de dimensão definidas, nas organizações, nos diferentes estágios de vida, os quais a alma percorre, sendo que ela se movimenta as vezes lá [no inteligível], as vezes no céu, as vezes por estas regiões aqui em baixo. O espírito pelo contrário, está continua e totalmente lá em cima e dificilmente poderia sair de si mesmo, mas sim, reinando em sua totalidade lá em cima, ele despacha aqui em baixo através da alma. A alma pelo contrário, possui mais pela sua proximidade {do inteligível} a sua natureza segundo a forma vinda de lá, e ela concede para as coisas inferiores às vezes da mesma maneira, às vezes de forma diferente em tempos diferentes, em determinada ordem, o seu sinuoso percurso. Entretanto, não é sempre a mesma que desce aqui para baixo, mas sim, às vezes mais às vezes menos, se bem que venham para o mesmo gênero [espécie]: mas cada uma desce para o corpo, que a ela, segundo a semelhança de sua natureza é adequado. Para aquele que se tornou semelhante a ela, ela se movimenta, uma para um ser humano, a outra para um outro ser vivente.
Ueber die Seele oder Ueber psychologische Aporien (I)

12_ Die Seelen der Menschen aber, die ihre eigenen Abbilder wie im Spiegel des Dionysos sehen, erhielten dort ihren Platz nachdem sie von oben herabgeeilt sind, ohne dass indessen auch sie von ihrem Ursprung und der Intelligenz abgeschnitten wurden. Denn sie kamen nicht mitsammt der Intelligenz, sondern sie erstreckten sich bis zur Erde, ihr Haupt aber steht fest gegründet über dem Himmel. Sie mussten aber weiter herabsteigen, weil ihr mittlerer Theil zur Sorgfalt gezwungen wurde, da das, wohin sie sich erstreckten, der Sorgfalt bedurfte. Vater Zeus aber, der aus Mitleid mit ihrer Angst die Fesseln, in denen sie schmachten, sterblich machte, gewährt ihnen Erholung, indem er sie zeitweise frei macht, damit auch sie dorthin gelangen können, wo die Weeltseele unbehelligt von dem Irdischen immer weilt. Denn was das All hat, ist ihm schon genug und wird ihm genug sein, da es nach den ewig feststehenden Begriffen in der Zeit vollendet wird und nach gewissen Zeiten immer in denselben Zustand restituirt wird nach Massgabe bestimmter Lebensperioden, wobei es diese [irdischen Dinge] zu jenen und gemäss jenen [der intelligible Welt] hinführt, diese aber vollendet werden indem alle einem Begriff unterworfen sind, sei es beim Herabsteigen oder Hinaufsteigen der Seele und so auch hinsichtlich alles andern insgesammt. Für die Zusammenstimmung der Seelen mit der Ordnung dieses Alls, so zwar dass diese nicht davon abhängen, sondern in ihrem Herabsteigen sich selbst daran anknüpfen und eine durchgehende Uebereinstimmung mil dem Umschwung bewirken, spricht auch der Umstand, dass die Schicksale derselben, ihr Leben und ihre Entschlüsse bezeichnet werden durch die Stellungen der Gestirne, dass [die Sphären] gleichsam einen harmonischen Klang vernehmen lassen und dass man dies vorzugsweise nach Analogie der Musik und Harmonie gedeutet hat. Das wäre nicht möglich gewesen, wenn sich nach jenen nicht jegliches Thun und Leiden des Alls regelte in den bestimmt abgemessenen Umläufen, Ordnungen, den verschiedenartigen Lebensstadien, welche die Seelen durchlaufen, indem sie sich bald dort [im Intelligiblen], bald im Himmel, bald gegen diese Regionen hier unten hin bewegen. Der Geist dagegen ist stets ganz und gar oben und dürfte schwerlich je aus sich selbst heraustreten, sondern in seiner Ganzheit oben thronend schickt er hierher durch die Seele. Die Seele dagegen hat mehr aus der Nähe ihre der von dort kommenden Form entsprechende Beschaffenheit und sie theilt den niederen Dingen bald in der nämlichen Weise, bald in verschiedener Weise zu verschiedenen Zeiten, in bestimmter Ordnung ihre schweifende Bahn zu. Doch kommt nicht immer das gleiche herunter, sondern bald mehr bald weniger, auch wenn es zu derselben Gattung [Wesenart] kommt; es steigt aber eine jede herab in den Leib, der ihr nach der Aehnlichkeit ihrer Beschaffenheit angemessen ist. Denn welchem sie ähnlich geworden ist, dahin besiegt sie sich, die eine in einen Menschen, die andere in ein anderes lebendes Wesen.

Ezequiel Martins Paz
Tradução do texto alemão de Hermann Friedrich Müller, 1878.
Palavras entre [] são do Autor Alemão
Palavras entre {} são do Tradutor.

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