quarta-feira, 23 de junho de 2010

Plotino – Sobre a Essência da Alma – Parte 14


Enéada IV, Livro 3.11
Sobre a Alma ou Sobre Aporias Psicológicas (I)

11_ E me parece que todos aqueles sábios, que através da construção de templos e estátuas desejavam se relembrar dos deuses, conseguiram ter uma profunda visão na natureza do universo: eles compreenderam que na mobilidade e dirigibilidade da natureza da alma, ela poderia aceitar praticamente tudo mais facilmente, o que alguém construísse de tal forma, que estivesse em condições de absorver uma parte dela. Mas o que é acessível para as afecções é o que de alguma maneira foi imitado, como um espelho que consegue captar uma imagem. Pois a natureza do universo criou tudo com grande facilidade para imitação daquilo, do qual ela possui a ideia, e como cada um destas ideias se tornaram na matéria tal qual elas eram antes da matéria ser formada, ela {a alma}, uniu-as com aqueles deuses, segundo os quais elas se tornaram, {deuses} para os quais a alma olhava e os quais ela tinha {consigo} durante sua criação. E era também impossível, que ela não fosse participante deles {deuses} e que eles desceram para este mundo. Mas aquela inteligência foi o sol lá (pois esta nos deve servir como um exemplo e uma imagem da ideia [criativa]) e imediatamente a ela esta conectada a alma, a qual permanece enquanto a inteligência permanece. Mas ela estende estas suas extremidades, que se volvem para este sol, a este sol e causa através de sua intermediação também lá a conexão, enquanto que ela se torna por assim dizer a tradutora para as coisas, que daquele mundo para este e deste mundo para aquele transpassam. Pois eles não estão de maneira nenhuma distantes um do outro e por outro lado, devido as suas diferenças e mistura, eles estão longe um do outro, de tal maneira que são em si e para si sem união localizada e mútuos na peculiaridade. Mas estas [ideias] são deuses pelo fato de elas não se distanciarem daqueles inteligíveis e com as almas originais, e também com as que para cá descem, estarem unidas, e que elas juntamente com estas {almas}, através das quais elas são exatamente o que são chamadas, olham em direção da inteligência, enquanto que as suas almas para nenhum outro lugar olha, senão para lá.
Ueber die Seele oder Ueber psychologische Aporien (I)

11_ Und es scheinen mir die allen Weisen, welche durch Errichten von Tempeln und Statuen die Götter sich vergegenwärtigen wollten, einen tiefen Blick in die Natur des Alls gethan zu haben: sie begriffen, dass bei der Beweglichkeit und Lenkbarkeit der Natur der Seele dasjenige eben alles am leichtesten annehmen könne, was etwa jemand so bildete, dass es im Stande sei einen Theil von ihr aufzunehmen. Der Affection zugänglich aber ist was auf irgend eine Weise nachgeahmt worden, wie ein Spiegel der eine Gestalt auffangen kann. Denn die Natur des Alls schuf alles mit grosser Leichtigkeit zur Nachahmung dessen, wovon sie die Begriffe hat, und da ein jedes ein solcher Begriff in der Materie wurde wie er gemäss dem vor der Materie gestaltet war, so verknüpfte sie es mit jenen Gotte, nach dem es wurde, auf den die Seele blickte und den sie halte bei ihrem Schaffen. Es war also gleicher Weise unmöglich, dass sie seiner nicht theilhaftig wurde und dass jener in diese Welt herabstieg. Es war aber jene Intelligenz die Sonne dort (denn diese soll uns als ein Beispiel und Bild des [schöpferischen] Begriffs dienen) und unmittelbar an diese ist die Seele geknüpft, die bleibt indem die Intelligenz bleibt. Es reicht aber diese ihre Enden, die sich nach dieser Sonne kehren, dieser Sonne und bewirkt durch ihre Vermittlung auch dort die Verknüpfung, indem sie gleichsam die Dolmetscherin wird für die Dinge, die von jener Welt in diese und von dieser Welt in jene hineinragen. Denn sie sind keineswegs weit von einander entfernt und andrerseits durch ihre Differenz und Mischung fern von einander, so dass sie in sich und bei sich sind ohne örtliche Vereinigung und bei einander in der Besonderung. Götter aber sind diese [Begriffe] dadurch, dass sie sich von jenem Intelligiblen nicht entfernen und mit der urspünglichen, jedoch gleichsam herabsteigenden Seele verbunden sind, dass sie mit dieser, durch die sie eben sind was sie heissen, zur Intelligenz hin blicken, indem ihre Seele nirgend als dorthin blickt.



Ezequiel Martins Paz
Tradução do texto alemão de Hermann Friedrich Müller, 1878.
Palavras entre [] são do Autor Alemão
Palavras entre {} são do Tradutor.

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