terça-feira, 8 de junho de 2010

Plotino – Sobre a Essência da Alma – Parte 13


Enéada IV, Livro 3.10
Sobre a Alma ou Sobre Aporias Psicológicas (I)

10_ Após termos ouvido isto, necessitamos retornar para aquele, que se comporta sempre desta maneira, e sintetizar todos os seres em um: o ar, a luz, o sol ou a lua e outra vez o sol a luz e o ar, todos juntos, organizados, no entanto conforme o primeiro, o segundo e o terceiro escalão, e também a alma que aqui permanece imóvel, sempre fixa, e em seguida o primeiro e o subsequente na fila conforme a ordem [o derivado] igualmente aos últimos raios do fogo, se bem que na sequencia, o imediatamente primeiro após o último, será representado como a sombra do fogo, que por sua vez será co-iluminado, de certa maneira que, por assim dizer, uma forma encontra uma área, que a principio e originalmente estava em completa escuridão. Mas ela foi embelezada conforme a ideia através da força da alma, a qual tem em si mesmo em sua total extensão a força de embelezar conforme a ideia, de forma semelhante como as ideias inclusas nas sementes formam e moldam os organismos como pequenos mundos.
Pois aquilo que entra em contato com a alma, será formado assim como a alma por natureza traz em essência consigo mesma. Mas esta não cria conforme uma decisão trazida do exterior e sem ter esperado um conselho ou uma investigação, pois então ela não iria criar segundo sua natureza, mas sim conforme uma arte trazida do exterior. Pois a arte é posterior a ela e cria cópias obscuras e fracas por imitação, brinquedos por assim dizer, sem nenhum valor especial, sendo que, além disto, ela utiliza muitos meios artificiais para a produção destas imagens.
Mas a alma é através da força de sua essência tão senhora dos corpos, que eles se tornam e são constituídos de tal forma como ela mesma dita; também as coisas que vieram a ser desde o princípio não podem resistir aos desejos dela. E nas coisas posteriores, a saber, acontece que elas se perturbam umas as outras e não se tornam participantes da forma peculiar, que a ideia oculta na semente pretendia; mas aqui, aonde igualmente toda a forma vem a ser através dela e o que veio a ser possui ao mesmo tempo uma ordem, o que está vindo a ser sem esforço e sem resistência, é belo. Mas ela designou alguns {corpos} no universo como imagem dos deuses, outros como morada dos seres humanos e assim por diante. Pois o que poderia surgir através da alma senão aquilo para o que ela possui a força de criação? Pois o fogo possui a qualidade de aquecer, e outro a qualidade de resfriar, mas a alma age de si mesma tanto sobre os outros como também sobre si. Nas coisas inanimadas, a saber, a ação que parte delas repousa como que dormente nelas, e a ação delas sobre outros significa fazer-se semelhante ao que uma sensação é capaz de fazer. E na verdade, isto é comum a todos os seres, a outro fazer-se semelhante; Mas a ação da alma, aquela sobre algo diferente, assim como aquela sobre si mesma, é semelhante a um vigilante. Ela traz, pois também o diferente à vida, aquilo que não vive por si só, e traz de fato para uma tal vida assim como ela própria possui. Vivendo, pois na ideia, ela concede ao corpo uma ideia, uma imagem de si própria – e assim é também uma imagem de vida o que ela concede ao corpo – e também a forma dos corpos, cujas ideias ela possui; mas ela tem também a ideia dos deuses e de todas as coisas. Por isto também o mundo contém todas as coisas.
Ueber die Seele oder Ueber psychologische Aporien (I)

10_ Nachdem wir dies also gehört haben, müssen wir wieder zu dem zurückkehren, was sich immer so verhält, und alles Seiende in eins zusammenfassen: die Luft, das Licht, die Sonne oder den Mond und wieder die Sonne und das Licht und die Luft alle zusammen, geordnet freilich nach dem ersten, zweiten und dritten Range, ferner die hier unbeweglich immer feststellende Seele, sodann das Erste und das der Reihe nach Folgende [das Abgeleitete] gleichsam die letzten Strahlen des Feuers, wobei in der Folge das Erste unmittelbar nach dem Letzten als der Schatten des Feuers vorgestellt wird, der dann auch seinerseits mit beleuchtet wird, so dass gewissermassen eine Form auf ein Gebiet trifft, das zuerst und ursprünglich in völliger Dunkelheit lag. Es wurde aber dem Begriff gemäss geschmückt durch die Kraft der Seele, welche in sich selbst in ihrer ganzen Ausdehnung die Kraft hat dem Begriff gemäss zu schmücken, ähnlich wie auch die im Samen eingeschlossenen Begriffe die Organismen wie kleine Welten bilden und gestalten.
Denn was mit der Seele in Berührung kommt, wird so gebildet wie es die Seele von Natur dem Wesen nach mit sich bringt. Diese aber schafft nicht nach einem herzugebrachten Entschluss und ohne auf einen Rath oder eine Untersuchung gewartet zu haben, denn sonst würde sie nicht nach ihrer Natur, sondern nach einer herzugebrachten Kunst schaffen. Denn die Kunst ist später als sie und schafft nachahmend dunkle und schwache Nachbilder, Spielereien gewissermassen von keinem besondern Werth, indem sie noch dazu vieler Kunstmittel zur Herstellung der Bilder bedarf.
Die Seele ist aber durch die Kraft ihres Wesens dermassen Herr der Körper, dass sie so werden und beschaffen sind wie sie selbst angiebt; auch dir ursprünglich gewordenen Dinge können ihrem Willen nicht widerstreben. In den spätern nämlich geschieht es, dass sie sich gegenseitig stören und der eigenthümlichen Form nicht theilhaftig werden, welche der im Samenkorn verborgene Begriff beabsichtigt; hier aber, wo auch die ganze Form durch sie wird und das Gewordene zugleich eine Ordnung hat, ist das mühelos und ungehindert Werdende schön. Sie hat aber im All das eine zu Bildern der Götter, das andere zu Wohnungen der Menschen gemacht u.s.f. Denn was konnte durch die Seele werden als wozu sie die schöpferische Kraft hat? Denn das Feuer hat die Eigenschaft heiss zu machen, und ein anderes die Eigenschaft zu kühlen, die Seele wirkt sowohl aus sich heraus auf anderes als in sich. Bei den unbeseelten Dingen nämlich ruht die von ihnen ausgehende Wirkung gleichsam schlafend in ihnen, ihr Wirken auf anderes heisst sich ähnlich machen was einer Affection fähig ist. In der That ist dies allem Seienden gemeinsam, anderes sich ähnlich zu machen; das Wirken der Seele aber, das auf etwas anderes ebenso gut wie das in ihr selbst, ist ein wachendes gleichsam. Sie ruft also auch das andere zum Leben, was nicht durch sich selbst lebt, und zwar zu einem solchen Leben als sich selbst hat. Lebend also im Begriff giebt sie dem Körper einen Begriff, ein Bild ihres eigenen - so ist es auch ein Bild des Lebens was sie dem Körper giebt - ferner die Gestalten der Körper, deren Begriffe sie hat; sie hat aber auch die der Götter und aller Dinge. Darum enthält auch die Welt alles.


Ezequiel Martins Paz
Tradução do texto alemão de Hermann Friedrich Müller, 1878.
Palavras entre [] são do Autor Alemão
Palavras entre {} são do Tradutor.

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