segunda-feira, 24 de maio de 2010

Plotino – Sobre a Essência da Alma – Parte 12


Enéada IV, Livro 3.9
Sobre a Alma ou Sobre Aporias Psicológicas (I)

9_ Entretanto deve-se analisar como a alma entra no corpo. Como e de que maneira acontece este processo? Esta é a questão; pois isto também não é algo de menor admiração e importância para um estudo. Já que então a alma efetua a sua entrada no corpo de duas maneiras – conforme a primeira, a alma se encontra no corpo, e seja de forma tal, que ela se torne nele e com ele unificada [Metensomatose] ou que passe de um corpo aéreo ou ígneo para um corpo terrestre, o que alguns não denominam metensomatose, porque não está claro, de onde vêm a incorporação; a segunda maneira é formada pela passagem do incorpóreo para um corpo qualquer, o que é provavelmente para a alma a primeira participação em um corpo: assim sendo, uma análise seria então adequada sobre, o que acontece realmente com a alma no momento, quando ela, em si sem corpo, se tem revestido totalmente com a natureza do corpo.
No que se refere à alma do universo, portanto (pois começar com ela revela-se adequado ou mais ainda como necessário), deve-se considerar que, a sua entrada e a sua empsychose* acontecem somente na imaginação para fins de instrução e esclarecimento. Não houve de fato nenhum tempo, em que este universo não fosse animado, nenhum tempo, em que um corpo existiu sem alma, nem houve em algum tempo a matéria, quando ela não era ainda organizada [sem forma]. No entanto, realizar estas representações, separando em pensamento uma da outra, é possível. Pois se pode separar qualquer composto no pensamento e na imaginação. Entretanto, a verdade neste caso é esta: Se não existe nenhum corpo, então nenhuma alma pode também vir à existência, já que não existe também nenhum outro lugar, onde ela segundo a sua natureza possa existir. Se ela deseja vir à existência, então ela irá criar uma lugar para si, e consequentemente também um corpo. Sendo que, a permanência dela {em si mesma} se torna de certa forma fortalecida neste estado de perseverança, ela torna-se semelhante a uma grande luz que resplandece a partir dela, {luz} que se torna escuridão para os objetos mais afastados do fogo, e já que a alma os vê, justamente porque ela permanece em si mesma, ela forma-os. Pois é contra a ordem universal, que uma área vizinha a ela não seja participante do entendimento, daquela maneira, a saber, como o cujo pudesse recebê-lo, quer dizer, ele seria escurecido durante a entrada dele na região escura.
Após então o mundo ter se tornado semelhante a uma bela casa multiplamente enfeitado, ele não foi separado do criador, mas por outro lado também não se mesclou com ele, mas sim, considerado em todas as suas partes realmente digno de um cuidado, que a ele próprio serve para a existência e a beleza, até o ponto, a saber, que ele pode participar no ser, mas não causa mal ao guia lá em cima, pois ele guia-o permanecendo lá em cima: assim sendo, ele se torna deste modo animado, não tendo ele de si, mas para si uma alma, ele é governado e não governa, é possesso, mas não possui. Pois ele descansa naquela alma, que lhe carrega, e nada nela lhe é incompartilhado, assim como uma rede úmida de certa forma vive na água, mas não consegue neste elemento, onde ela se encontra, se movimentar autonomamente. Mas sim, com a expansão da água se expande a rede tanto quanto pode; pois nenhuma parte pode estar em outro lugar a não ser onde ela está. Mas a alma é segundo a sua natureza tão grande, porque não tem nenhuma grandeza definida; por isso ela abrange todo o corpo com uma e a mesma força, e até onde aquele se estender, aí está ela. E também se aquele {corpo} não existisse, ela não iria se importar de modo algum com grandezas, pois ela é o que justamente é. Pois o universo é tão grande e vasto quanto o alcance dela, e o seu tamanho é definido segundo, a extensão, que esta que o sustenta, tem. E tão grande é a sombra {dela} como a do entendimento que parte dela. Mas o entendimento foi criado de tal forma, que ele produza uma grandeza tal qual a sua forma deseje produzir.
*ação de dar vida.
Ueber die Seele oder Ueber psychologische Aporien (I)

9_ Aber es ist zu untersuchen, wie die Seele in den Körper kommt. Wie und auf welche Weise vollzieht sich dieser Vorgang? das ist die Frage; denn auch dies ist nicht minder der Bewunderung und Untersuchung werth. Da nun die Seele auf zwiefache Art ihren Eingang in den Körper nimmt - nach der ersten Art ist die Seele im Körper, sei es dass sie in und mit ihm verbunden wird [Metensomatose] oder aus einem luftigen oder feurigen Körper in einen irdischen übergeht, was einige nicht Metensomatose nennen, weil es nicht klar ist, woher das Eindringen; die zweite Art bildet der Uebergang aus Unkörperlichem in jeden beliebigen Körper, was denn wohl für die Seele die ursprüngliche Theilnahme am Körper ist: so dürfte eine Untersuchung darüber am Platze sein, was denn der Seele eigentlich widerfährt zu der Zeit, wenn sie, an sich körperlos, sich gänzlich mit der Natur des Körpers umkleidet hat.
Was nun die Seele des Alls betrifft (denn hiermit zu beginnen erweist sich als passend oder vielmehr als nothwendig), so muss man dafür halten, dass ihr Eingang und ihre Empsychose sich der Belehrung und Deutlichkeit halber nur in Gedanken vollzieht. Es gab ja doch keine Zeit, in der dieses All nicht beseelt war, keine Zeit, da ein Körper existirte ohne Seele, noch gab es Materie zu einer Zeit, da sie nicht geordnet [Formlos] war. Aber diese Vorstellungen zu vollziehen, indem man sie in Gedanken von einander sondert, ist möglich. Denn man kann jede Zusammensetzung in Gedanken und in der Vorstellung auflösen. Jedoch das Wahre ander Sache ist dieses: Wenn es keinen Körper giebt, so kann auch keine Seele hervortreten, da es ja auch keinen andern Ort giebt, wo sie ihrer Natur nach sein kann. Will sie hervortreten, so wird sie sich einen Ort erzeugen, folglich auch einen Körper. Indem also das Beharren derselben in dem Zustand der Beharrlichkeit gewissermassen befestigt wird, gleicht sie einem aus ihr aufleuchtenden Grössen Licht, das für die äusserst vom Feuer entfernten Gegenstände zur Dunkelheit wird, und da die Seele eben diese erblickt, gerade weil sie in sich beharrt, gestaltet sie sie. Denn es ist gegen die Weltordnung, dass ein ihr benachbartes Gebiet des Begriffes untheilhaftig sei, in der Art nämlich wie das Erwähnte ihn aufnehmen konnte d.h. er wurde verdunkelt bei seinem Eintritt in das dunkle Gebiet.
Nachdem also die Weil gleichsam ein schönes und mannigfach geschmücktes Haus geworden ist, wurde sie nicht getrennt von dem Schöpfer, andererseits vermischte sie sich auch nicht mit ihm, sondern überall ganz und gar einer Sorgfalt würdig befunden, die ihr selbst nützt zum Sein und zur Schönheit, soweit sie nämlich am Sein Theil nehmen kann, dem Lenker oben aber nicht schadet, denn er leitet sie oben verbleibend: so ist sie auf diese Weise beseelt, indem sie nicht von sich sondern für sich eine Seele hat, beherrscht wird und nicht beherrscht, besessen wird aber nicht besitzt. Denn sie ruht in der Seele, die sie trägt, und nichts in ihr ist derselben untheilhaftig, wie etwa ein feuchtes Netz im Wasser gewissermassen lebt, sich aber in dem Element, worin es sich befindet, nicht selbständig bewegen kann. Sondern mit der Ausdehnung des Wassers dehnt sich das Netz aus soweit es kann; denn kein Theil kann anderswo sein als wo er liegt. Die Seele aber ist ihrer Natur nach so gross, weil sie keine bestimmte Grösse hat; daher umfasst sie den ganzen Körper mit ein und derselben Kraft, und wohin jener sich erstreckt, da ist sie. Auch wenn jener nicht wäre, so würde sie sich um Grösse durchaus nicht kümmern, denn sie ist was sie eben ist. Denn so gross und weil ist das All als jene reicht, und seine Grösse wird danach bestimmt, wieweit es diese, die es selbst erhält, hat. Und so gross ist der Schatten als der von ihr ausgehende Begriff. Der Begriff war aber so beschaffen, dass er eine solche Grösse wirkte als seine Form wirken wollte.






Ezequiel Martins Paz
Tradução do texto alemão de Hermann Friedrich Müller, 1878.
Palavras entre [] são do Autor Alemão
Palavras entre {} são do Tradutor.

Um comentário:

  1. Olá,
    Tive contato com o teu blog no filosofia é o limite da profa. Marise Frühauf.
    Agora vim conhecê-lo e seguí-lo.
    Desde já és convidado a visitar o meu.
    Saúde e felicidade.
    João Pedro Metz

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