terça-feira, 11 de maio de 2010

Plotino – Sobre a Essência da Alma – Parte 11


Enéada IV, Livro 3.8
Sobre a Alma ou Sobre Aporias Psicológicas (I)

8_ Estas dificuldades portanto, deveriam estar resolvidas desta maneira, sendo que nem a suposição de uma simpatia das almas dificulta a prova. Pois, visto que todas estão aqui {originando-se} da mesma, da qual se origina também a do universo, por isso as almas são simpáticas. Foi previamente dito, que existe tanto uma como muitas. Também foi falado, no que consiste a diferença das partes com relação ao todo. Foi discutido, além disto, sobre a diferença das almas em geral e agora deve ser dito brevemente, que elas, exceto em aspectos do corpo, também se diferenciam perfeitamente, principalmente no seu caráter como também nos seus atos de pensar, de acordo com a vida vivida antes do tempo.
Pois conforme a vida pré-temporal, diz Plato, definem-se as escolhas para as almas. Se, entretanto alguém vislumbra a natureza da alma de uma forma geral, então também lá se pode supor diferenças, onde se tratou de um segundo e terceiro grau e onde foi dito, que todas são todas as coisas e cada uma aquilo, conforme a parte que nela atua é adequando. Isto quer dizer, que uma através de sua atividade, outra através do conhecimento, e uma terceira através do esforço chega à unidade e que olhando elas para diferentes objetos {se tornam} diferentes e de fato são e se tornam aquilo que elas no momento veem.
Também a plenitude e a perfeição podem ser atribuídas para as almas, entretanto não {de forma} idêntica para todas elas. Mas sim, se a diversidade na unidade é imposta para elas – pois qualquer conceito homogêneo é um múltiplo e diverso, assim como um organismo vivo com diversas formas; se isto assim é, então existe também um processo de unificação e os seres-existentes não estão completamente separados um dos outros e nem há nos seres-existentes um lugar para o acaso, tão pouco no corpóreo, e se segue, que existe um número definido [de seres-existentes]. Por outro lado é preciso também que os seres-existentes sejam estáveis e os inteligíveis sejam idênticos e que cada um seja uno segundo a quantidade; pois através disto eles se tornaram um indivíduo. Os próprios objetos corpóreos, já que o peculiar é por natureza algo que flui e porque a forma foi trazida de fora, possuem a existência como forma somente através da imitação do seres-existentes; Mas para aquele, o qual existe não por consequência de uma composição, a existência consiste naquilo, que segundo a quantidade é uno, que existe justamente deste o principio e nem se tornará o que não era, nem deixará de ser o que é. Pois mesmo que exista algo que isto faça, este algo não o fará, entretanto da matéria; se este é também o caso, então este algo precisa adicionar de si próprio algo substancial. Por isto ocorrerá uma transformação naquele próprio algo, quando ele produz agora menos ou mais. E porque agora, e não sempre assim? O ser gerado também não será eterno, se de outra maneira ele permite um mais e um menos {ser}; mas a alma como tal [eterna] permanece firme. Como pode ela, no entanto ser infinita, se ela precisa permanecer?
Bem, segundo a força ela é a infinita, porque a força é infinita, entretanto não como divisível até o infinito; pois também Deus não é limitado. E assim acontece também com as almas: cada uma não é o que é devido a uma limitação imposta de fora, por exemplo, deste tamanho, mas sim é ela mesma o quanto deseja ser, e, não é de se temer, que ela saia de si mesma, mas sim que em toda parte ela vá até o ponto onde segundo a sua natureza lhe seja possível penetrar nos corpos. Pois com certeza nenhuma parte dela está desconectada, se ela está tanto no dedo como no pé. E assim também acontece com ela no universo, na proporção que ela se estende nesta ou naquela parte de uma planta, mesmo que esta esteja cortada. Por isso ela está tanto na planta original assim como na parte que dela foi cortada. Pois um é o corpo do universo e assim como em um {corpo}, ela está presente em toda parte nele. E se de um organismo apodrecido geram-se muitos, então aquela alma do organismo geral não está mais no corpo, pois ele não tem mais um receptáculo para ela, caso contrário ele não teria morrido. Mas o que da podridão ainda é apto para a criação de organismos, para este ou aquele conforme o caso, isto preserva uma alma, já que ela nunca cessa de existir, porém, algumas {coisas} estão em condição de absorvê-la e outras não estão em condições para isto. E os seres animados que desta maneira foram gerados não foram criados por várias almas, pois elas estão conectadas a aquela uma, que permanece una. E assim é também conosco seres humanos: se partes são cortadas, em cujo lugar cresce outras, então a alma de desloca daquela uma e passa para a outra, até quando aquela uma permanece.
Mas no universo permanece sempre aquela uma; e das coisas no universo algumas possuem alma, outras não, enquanto que as forças da alma permanecem as mesmas.
Ueber die Seele oder Ueber psychologische Aporien (I)

8_Diese Schwierigkeiten also dürften auf diese Weise gelöst sein, wobei auch die Annahme der Sympathie der Seelen die Beweisführung nicht stört. Denn weil alle aus derselben her sind, aus der auch die des Alls stammt, darum sind die Seelen sympathisch. Es ist nämlich gesagt, dass es sowohl eine als viele giebt. Auch worin der Unterschied des Theils im Verhältniss zum Ganzen besteht, ist gesagt. Gesprochen ist ferner über den Unterschied der Seele überhaupt und jetzt soll kurz gesagt sein, dass sie sich ausser in Hinsicht des Körpers auch wohl unterscheiden, besonders in ihrem Charakter wie auch in ihrer Denkthätigkeit nach Maassgabe des vor der Zeit geführten Lebens.
Denn nach dem vorzeitlichen Leben, sagt Plato, bestimmt sich die Wahl für die Seelen.
Wenn aber jemand die Natur der Seele im allgemeinen auffasst, so sind auch da Unterschiede angenommen, wo von einer zweiten und dritten Rangstufe die Rede war und gesagt wurde, dass alle alles seien und eine jede das, was dem in ihr wirkenden Theile gemäss ist. Das will sagen, dass die eine durch Thätigkeit, die andere durch Erkenntniss, die dritte durch Streben zur Einheit gelange und dass sie auf verschiedene Objecte blickend verschieden und zwar das sind und werden was sie eben erblicken.
Auch die Fülle und die Vollendung kommt den Seelen zu, doch nicht allen dieselbe. Sondern wenn Mannigfaltigkeit in der Einheit für sie Gesetz ist - denn jeder einheitliche Begriff ist ein vielfacher und mannigfaltiger, wie ein lebendiger Organismus mit mancherlei Formen; wenn also dies ist, dann giebt es auch eine Zusammenordnung und das Seiende ist nicht durchaus von einander getrennt noch hat im Seienden der Zufall eine Stelle, sowenig wie im Körperlichen, und es folgt, dass es eine bestimmte Zahl [des Seienden] giebt. Hinwiederum muss auch das Seiende stabil und das Intelligible identisch sein und ein jedes eins sein der Zahl nach; denn dadurch wird es ein Individuum. Die körperlichen Dinge nämlich haben, da das Besondere von Natur etwas fliessendes ist, weil die Form von aussen herzugebracht worden, das Sein als Form stets nur durch Nachahmung des Seienden; bei demjenigen aber, das nicht in Folge einer Zusammensetzung ist, bestellt das Sein in dem, was der Zahl nach eins ist, was eben von Anfang an vorhanden ist und weder wird was es nicht war, noch was es ist nicht sein wird. Denn auch wenn es etwas geben soll was dieses macht, so wird es dasselbe nicht aus Materie machen; ist auch dies der Fall, so muss es auch aus sich selbst etwas Wesenhaftes hinzufügen. Daher wird eine Veränderung an jenem selbst vorgehen, wenn es Jetzt weniger oder mehr schafft. Und warum jetzt, aber nicht immer so? Auch wird das Gewordene nicht ewig sein, wenn anders es ein Mehr und Minder zulässt; die Seele steht aber als ein solches [ewiges] fest. Wie kann sie nun unendlich sein, wenn sie feststellen soll?
Nun, der Kraft nach ist sie das Unendliche, weil die Kraft unendlich ist, nicht jedoch als eine ins unendliche zu theilende; denn auch Gott ist nicht begrenzt. So verhält sichs auch mit den Seelen: eine jede ist nicht durch eine von aussen gesteckte Grenze was sie ist, z.B. so gross, sondern sie selbst ist soviel sie sein will, und , es ist nicht zu befürchten, dass sie nach aussen hin aus sich selbst herausgehe, sondern überall geht sie so weit als sie ihrer Natur nach in die Körper eingehen kann. Denn sicherlich ist kein Theil von ihr losgelöst, wenn sie wie im Finger so im Fuss ist. Ebenso verhält es sich mit ihr im Weltall, soweit sie sich erstreckt in diesem oder jenem Theil eines Gewächses, auch wenn es abgeschnitten ist. Daher ist sie sowohl in der ursprünglichen Pflanze als in dem von ihr abgeschnittenen Stück. Denn einer ist der Körper des Alls und wie in einem ist sie überall in ihm gegenwärtig. Und wenn aus einem verfaulten Organismus viele werden, so ist jene Seele des gesammten Organismus nicht mehr in dem Körper, den er hat keinen Aufnahmeort mehr für sie, sonst wäre er nicht gestorben. Was aber aus der Fäulniss noch geschickt ist zur Erzeugung von Organismen, zu diesen oder jenen je nachdem, das erhält Seele, da sie nirgend aufhört zu existiren, wobei freilich das eine sie aufzunehmen im Stande, das andere dazu nicht im Stande ist. Und die auf diese Weise entstandenen beseelten Wesen haben nicht mehrere Seelen hervorgebracht, denn sie sind geknüpft an die eine, welche eine bleibt. Ebenso ist es ja auch bei uns Menschen: werden einzelne Theile abgeschnitten, an deren Stelle andere wachsen, so weicht die Seele von den einen und tritt zu den andern herzu, solange die eine bleibt.
In dem All aber bleibt immer die eine; und von den Dingen im All haben die einen Seele, die andern nicht, während die seelischen Kräfte dieselben bleiben.




Ezequiel Martins Paz
Tradução do texto alemão de Hermann Friedrich Müller, 1878.
Palavras entre [] são do Autor Alemão
Palavras entre {} são do Tradutor.

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