segunda-feira, 12 de abril de 2010

Plotino – Sobre a Essência da Alma – Parte 07


Enéada IV, Livro 3.4
Sobre a Alma ou Sobre Aporias Psicológicas (I)

4_ O que se deve dizer então, visto que ela é assim, se alguém avalia a consequência disto e pergunta primeiramente, se ela como uma tal una poderia estar em todas as coisas ao mesmo tempo, e então se não estaria uma outra no corpo, caso ela [a una] esteja no corpo. Talvez se chegue de fato à conclusão, que ela está continua e totalmente no corpo, principalmente a alma do universo. Pois dela não se diz como da nossa, que ela deixa o corpo; contudo alguns afirmam, que uma parte deixa o {corpo}, mas ela [a nossa] não ficaria de fato totalmente fora do corpo. Mas caso ela ficasse totalmente fora do corpo, como poderá uma deixá-lo, e a outra não, já que de fato são uma e a mesma? Ora, na esfera da razão, que em si mesma está separada em partes, as quais são na verdade diferentes umas das outras, mas estão, no entanto sempre juntas (pois estas substâncias poderiam ser indivisíveis), tal problema certamente não existe; mas em se tratando da alma, que com relação ao corpo é identificada como divisível, nos envolve exatamente aquela afirmação, que ela seja una, em muitos problemas, e alguém precisaria então dizer: aquela uma permanece em si mesma sem descer para o corpo, dela partem então todas as almas, a do universo e as demais, que até certo ponto estão juntas e são uma, devido a elas não se unirem com nada diferente. Enquanto estas estão com seus pontos finais conectados na uma e para cima unidas umas com as outras, elas se dirigem para cá e para lá, tal qual a luz em direção a terra se espalha através das habitações e, entretanto não é dividida, mas permanece sim apesar de tudo uma. A alma do universo mantém-se sempre acima, pois não lhe é apto nem a descida nem a natureza inferior e também não a atração pelas coisas terrenas; a nossa pelo contrário nem sempre, devido a lhe ter sido designada uma certa região aqui em baixo, e também devido a: atração ao corpo, o qual necessita de cuidado. Neste caso seria aquela uma, a alma universal, comparável, com relação as suas partes inferiores, à alma habitante no interior de uma grande planta, sobre a qual ela administra fácil e impecavelmente, entretanto a aptidão inferior de nossa alma é comparável com as larvas, que porventura se tenham gerado em uma parte apodrecida da planta – pois a isto se pode comparar o surgimento dos corpos animados no universo. Por outro lado o comportamento da outra, a parte da alma semelhante à aptidão superior da alma universal, pode ser comparada com a de um camponês, que se preocupou com as larvas na planta e para a planta dedicou cuidado; ou talvez se pudesse descrever isto se dissesse, que uma pessoa sadia em um relacionamento com outra pessoa sadia está sujeito à exatamente estas coisas, com as quais ele está ocupado prática ou teoricamente, e que pelo contrário uma pessoa doente e ocupada com o tratamento do corpo está sujeita a exatamente este corpo e deste corpo se tornou pertencente.
Ueber die Seele oder Ueber psychologische Aporien (I)

4_Was muss man nun, wenn sie so eine ist, sagen, wenn jemand die Consequenz hiervon zieht und zuerst fragt, ob sie als ein solches Eins zugleich in allen Dingen sein könne, sodann ob eine andere nicht im Körper sei, falls sie [die eine] im Körper ist. Vielleicht nämlich wird sich ergeben, dass sie stets ganz und gar im Körper ist, besonders die Seele des Alls. Denn von ihr sagt man nicht wie von der unsern, dass sie den Körper verlasse; gleichwohl behaupten einige, dass ein Theil ihn verlassen, sie [die unsere] aber doch nicht gänzlich ausserhalb des Körpers sein wird. Aber wenn sie gänzlich ausserhalb des Körpers sein wird, wie wird ihn die eine verlassen, die andere nicht, da es doch eine und dieselbe ist? Im Bereiche der Vernunft nun, die in sich selbst nach Theilen gesondert ist, die zwar einzeln von einander verschieden, aber doch immer zusammen sind (denn diese Substanz dürfte untheilbar sein), herrscht eine solche Schwierigkeit wohl nicht; aber bei der Seele, die hinsichtlich der Körper als theilbar bezeichnet wird, verwickelt uns gerade die Behauptung, dass sie eins sei, in viele Schwierigkeiten, es müsste denn einer sagen: das Eine beharrt in sich ohne in den Körper herabzusteigen, dann gehen von ihm sämmtliche Seelen aus, die des Alls und die andern, die bis zu einem gewissen Grade zusammen und eine sind, dadurch dass sie sich mit nichts anderem verbinden. Während diese mit ihren Endpunkten an das Eine geknüpft und nach oben zu mit einander verbunden sind, wenden sie sich hierhin und dorthin, wie das Licht nach der Erde zu durch die Wohnräume bin sich vertheilt und doch nicht getheilt ist, sondern nichtsdestoweniger eins bleibt. Die Seele des Alls hält sich immer oben, da ihr weder das Herabsteigen eignet noch die niedere Natur noch die Hinneigung zu den irdischen Dingen; die unseren dagegen nicht immer, dadurch dass ihnen ein bestimmtes Gebiet hier unten angewiesen ist, und durch : die Hinneigung zum Körper, welcher der Pflege bedarf. Dabei wäre denn die eine, die Allseele, ihrem untersten Theile nach der einer grossen Pflanze innewohnenden Seele vergleichbar, welche über die Pflanze mühelos und tadellos waltet, unser niederes Seelenvermögen dagegen den Würmern vergleichbar, die sich etwa in einem verfaulenden Theile der Pflanze erzeugten - denn hiermit lässt sich die Entstehung des beseelten Körpers im All vergleichen. Hinwiederum lässt sich das Verhalten des andern, den höhern Vermögen der Allseele gleichgearteten Seelentheils vergleichen mit dem eines Landmanns, der sich wegen der Würmer in der Pflanze bekümmerte und für die Pflanze Sorge trüge; oder man könnte es bezeichnen wenn man etwa sagte, dass ein gesunder Mensch im Verkehr mit andern gesunden Menschen eben denjenigen Dingen obliege, mit denen er jedesmal praktisch oder theoretisch beschäftigt ist, dass dagegen ein Kranker und mit der Pflege des Körpers beschäftigter Mensch eben dem Körper obliege und dem Körper angehörig geworden sei.

Ezequiel Martins Paz
Tradução do texto alemão de Hermann Friedrich Müller, 1878.
Palavras entre [] são do Autor Alemão
Palavras entre {} são do Tradutor.

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