quarta-feira, 10 de março de 2010

Plotino – Sobre a Essência da Alma – Parte 04


Enéada IV, Livro 3.1
Sobre a Alma ou Sobre Aporias Psicológicas (I)

1_ Poderia ser um bem apropriado estudo, quais de todas as difíceis questões a respeito da alma são possíveis de se resolver ou em quais nós, mesmo permanecendo estagnados nas dificuldades, devemos nos contentar pelo menos com o ganho, de conhecer as dificuldades em tais questões. Pois em que área deseja alguém se articular em inúmeras discussões com mais razão do que nesta? Tanto por muitas outras razões assim como também porque a partir daqui será obtida a resposta para a dupla questão, de quem a alma é suplemento e princípio e de onde ela se origina. Através da realização deste estudo deveremos estar sendo aos mandamentos do Deus: “conhece-te a ti mesmo” obedientes, e já que nós desejamos procurar e encontrar o restante, pode ser justo pesquisar, o que é na verdade este {objeto} pesquisado, enquanto nós nos esforçamos para compreender este objeto de cobiça da contemplação.
Pois havia também no espírito universal uma duplicidade, de onde resulta, que também nas coisas individuais aquela uma é constituída desta maneira, e a outra daquela. Além disso é de se estudar, em que situação ficam as almas como moradia dos Deuses. Porem isto nós iremos encontrar, quando estudarmos, como a alma entra nos corpos.
– Agora nós desejamos retornar para a afirmação daqueles, que dizem, que da alma universal se originam também as nossas almas. Pois eles irão considerar a prova, que as nossas almas não são partes da alma universal, como não evidente através da contraprova, que os efeitos delas se estendem até chegarem a alma universal, ou que elas são semelhantes a ela através de suas inteligências, mesmo se elas reconhecessem a semelhança, pois também as partes são semelhantes ao todo. Eles irão apresentar também o Plato como testemunha para este parecer, quando ele para reforçar, que este universo é animado, diz: como o nosso corpo é uma parte do universo, assim é também a nossa alma uma parte da alma universal. Alem disso que seja claramente exposto e comprovado, que nós seguimos as reviravoltas do universo, que nós recebemos o nosso caráter e o nosso destino de lá e que nós gerados dentro dele recebemos daquele para nós abrangente universo a alma. E como em nós cada parte participa na nossa alma, assim teríamos, segundo a mesma analogia {das} partes com relação ao todo, participação na alma universal como uma parte. Também a frase: “a alma toda cuida de todo o inanimado”, diz exatamente o mesmo, quando ele [Plato] além da alma não aceita nada a mais além daquela {alma} do universo; pois esta é aquela, que dedica a todos os inanimados os seus cuidados.
Ueber die Seele oder Ueber psychologische Aporien (I)

1_ Es dürfte eine recht angemessene Untersuchung sein, welche von alle den schwierigen Fragen über die Seele zu lösen sind oder bei welchen wir uns, in den Schwierigkeiten selbst stehen bleibend, mit dem Gewinn wenigstens begnügen müssen, die Schwierigkeit in solchen Fragen zu kennen. Denn auf welchem Gebiet möchte sich jemand in zahlreichen Erörterungen mit mehr Grund bewegen als auf diesem? sowohl aus vielen andern Gründen als deshalb weil hieraus die Antwort gewonnen wird auf die doppelte Frage, wessen Anhang und Princip die Seele ist und woher sie stammt. Durch Führung dieser Untersuchung dürften wir auch dem Gebote des Gottes: »Erkenne dich selbst« gehorsam sein, und da wir das übrige zu suchen und zu finden wünschen, möchte es recht sein zu erforschen, was dieses Erforschende eigentlich ist, indem wir darnach trachten das begehrungswürdige Object des Schauens zu erfassen.
Es lag ja auch in dem Allgeist ein doppeltes, woraus sich ergiebt, dass auch in den Einzeldingen das eine mehr so, das andere so beschaffen ist. Ferner ist zu untersuchen, wie es mit den Seelen als Wohnstätten der Götter steht. Doch dies werden wir finden, wenn wir untersuchen, wie die Seele in den Körper tritt.
- Jetzt wollen wir wieder zu der Behauptung derer zurückgehen, welche sagen, dass aus der Allseele auch unsere Seelen herrühren. Denn vielleicht werden sie den Beweis, unsere Seelen seien nicht Theile der Allseele, nicht für erbracht halten durch den Nachweis, dass ihre Wirkungen sich soweit erstrecken als die Allseele reicht, oder dass sie ihr ähnlich sei durch ihre Vernunft, auch wenn sie die Aehnlichkeit zugeben sollten, denn gleichartig seien auch die Theile dem Ganzen. Sie werden auch den Plato als Zeugen für diese Meinung anführen, wenn er um zu erhärten, dass dieses All beseelt sei, sagt: wie unser Leib ein Theil des Alls ist, so ist auch unsere Seele ein Theil der Allseele. Ferner sei es klar dargelegt und bewiesen, dass wir dem Umschwung des Alls folgen, dass wir Charakter und Schicksal von dorther empfangen und dass wir mitten in ihm geworden aus dem uns umfassenden All die Seele empfangen. Und wie bei uns jeder Theil von uns an unserer Seele participirt, so hätten wir, nach derselben Analogie Theile im Verhältniss zum Ganzen, Antheil an der Allseele als Theile. Auch der Satz: 'die gesammte Seele trägt Sorge für das gesammte Unbeseelte', besage eben dasselbe, indem er [Plato] ausser der Seele nichts anderes nach der des Alls zurücklasse; denn diese ist es, welche allem Unbeseelten ihre Sorge zuwendet.







Ezequiel Martins Paz
Tradução do texto alemão de Hermann Friedrich Müller, 1878.
Palavras entre [] são do Autor Alemão
Palavras entre {} do Tradutor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário