sexta-feira, 5 de março de 2010

Plotino – Sobre a Essência da Alma – Parte 03


Continuação da Enéada IV, Livro 2.
2_Que a natureza da alma deve ser constituída desta maneira, que além desta uma alma não pode haver {outra}, nem uma apenas indivisível nem divisível, mas sim que ambas devem existir desta maneira, fica claro do que foi dito. Pois se ela fosse constituída assim como os corpos ou seja, composta em si de diferentes partes, então ao sofrer uma das partes a outra não iria ter acesso a este sofrimento, mas sim aquela alma, a no dedo por exemplo, iria, sentir o sofrimento como uma outra e para si só existente e acima de tudo iria haver muitas almas, que governariam cada um de nós; e também este universo não seria uma mas sim incontáveis almas separadas umas das outras. Pois aquela coesão [aquela continuidade] se ela não produz uma unidade, não é fútil.
Não se deve na verdade deixar valer, o que comumente se diz preso em um auto engano: Os sentidos chegam em progressiva sucessão até a parte regente da alma. Pois primeiro a afirmação parte regente da alma é uma {afirmação} infundada, pois como se pode dividi-la e denominar uma parte desta maneira, e a outra desta? Através de qual divisão quantitativa ou de qual diferenciação qualitativa, já que a massa é uma e em si uma composta? E irá apenas a parte regente, ou também as outras partes terem sensações? E se apenas ela, em que lugar irá ela, caso aconteça a ela, a regente, alguma coisa, ter estas sensações? Mas se para a outra parte da alma, que não foi feita para sensações, acontecer alguma coisa, então esta parte não irá poder comunicar o seu próprio sofrimento à parte regente e não ocorrerá absolutamente nenhuma sensação. Mas se o sofrimento acontecer para a própria regente, isto afetará então ou uma parte dela e após ela o ter sentido as outras não mais o sentiriam (pois isto seria fútil) ou ocorrerão muitas e incontáveis sensações, as quais não são todas semelhantes, e aquela uma irá dizer: primeiro eu senti, e a outra: eu senti a sensação de uma outra; mas onde originou-se o sofrimento, ninguém poderá dizer a não ser a primeira. Ou se engana também cada parte da alma, quando pensa, que o sofrimento se originou lá onde ela está. Mas se não apenas a parte regente mas sim todas as partes sentirem, porque deve aquela uma ser a regente, e a outra não? Ou por que a sensação deve penetrar exatamente até aquela? E como podem formar de muitas sensações, por exemplo dos ouvidos e dos olhos, de alguma coisa homogênea um conhecimento uniforme? Mas se por outro lado a alma fosse algo absolutamente una, assim como algo absolutamente indivisível e em si mesmo una, e fugisse totalmente a natureza da multiplicidade e da divisão, então nenhum todo, que por acaso fosse tomado pela alma, seria animado, mas sim ela iria como que se fixar ao redor do ponto central de cada coisa e deixaria toda a outra massa do organismo inanimada.
A alma deve então ser desta maneira una e múltipla, divisível e indivisível, e não se deve acreditar, que seja impossível, que a própria e mesma {coisa} seja de diferentes formas. Pois caso não quiséssemos aceitar isto, então não haveria uma natureza sustentadora e ordenadora de todas as coisas, que ao mesmo tempo todo o abrangente sustenta e conduz com sabedoria: uma multiplicidade, já que os existentes são muitos, uma unidade, para que, a linha que sustenta a união seja uma; através de sua múltipla unidade ela transfere vida para todas as partes, através de sua indivisível unidade ela conduz sabiamente. Mas onde a sabedoria não está disponível, lá imita este principio guia aquele um {da alma}. Isto diz também o divino pressentimento e a insinuação de Platão: “do indivisível e continuamente idêntico a si mesmo e do ser que se torna divisível com relação aos corpos ele criou da mistura de ambos uma terceira forma de ser”. Desta maneira então a alma é uma e muitas. As formas existente nos corpos são muitas e uma, os corpos são somente muitos, o altíssimo e superior é apenas um.
2. Dass die Natur der Seele so beschaffen sein muß, dass es ausser dieser eine Seele nicht geben kann, weder eine nur untheilbare noch nur theilbare, sondern dass beides auf diese Weise statthaben muß, ist aus dem Gesagten klar. Denn wäre sie so beschaffen wie die Körper d.h. verschiedene Theile in sich befassend, so würde bei dem Leiden des einen Theils der andere nicht zur Empfindung dieses Leidens gelangen, sondern jene Seele, etwa die am Finger, würde, als eine andere und für sich seiende das Leiden empfinden und es würde überhaupt viele Seelen geben, die einen jeden von uns regierten; ja auch dieses All wäre nicht eine sondern unzählige, von einander getrennte Seelen. Denn jenes Zusammenhalten [jene Continuität] wenn es nicht eine Einheit bewirkt, ist nichtig.
Man muss nämlich nicht gelten lassen, was man gemeinhin in einer Selbsttäuschung befangen sagt: die Sinne kommen in stufenweiser Aufeinanderfolge zu dem leitenden Theil der Seele. Denn zuerst ist die Behauptung von einem leitenden Theil der Seele eine unerwiesene, denn wie will man sie theilen und den einen Theil so, den anderen so benennen? durch welche quantitative Theilung oder welchen qualitativen Unterschied, da die Masse eine und eine in sich zusammenhängende ist? Und wird bloss der leitende Theil, oder werden auch die anderen Theile Empfindung haben? Und wenn er allein, an welchem Ort wird er, falls ihm dem Führer etwas zustösst, diese Empfindung haben? Wenn aber dem andern Theil der Seele, welcher nicht zur Empfindung geschaffen ist, etwas zustösst, so wird dieser Theil dem Führer sein eigenes Leiden nicht mittheilen und es wird überhaupt keine Empfindung statthaben. Trifft aber den Führer selbst das Leiden, so wird es entweder einen Theil von ihm treffen und nachdem dieser es empfunden hat werden es die andern nicht mehr empfinden (denn das wäre nichtig) oder es werden viele und unzählige Empfindungen statthaben, die sich sämmtlich nicht ähnlich sind, sondern die eine wird sagen: zuerst habe ich empfunden, die, andere: ich habe das Leiden einer andern empfunden; wo aber das Leiden entstanden ist, wird keine sagen können ausser der ersten. Oder es täuscht sich auch jeder Theil der Seele, indem er annimmt, dass das Leiden da entstanden sei wo es ist. Wenn aber nicht der leitende nur sondern jeder Theil empfinden wird, warum soll der eine der leitende sein, der andere nicht? Oder warum muss die Empfindung gerade bis zu jenen vordringen? Und wie kann aus vielen Empfindungen, z.B. der Ohren und Augen, irgend etwas Einheitliches eine einheitliche Erkenntniss gewinnen? Wenn aber andererseits die Seele etwas durchaus einiges wäre, gleichsam ein durchaus untheilbares und in sich selbst einiges, und durchaus die Natur der Vielheit und der Theilung flöhe, so wird kein Ganzes, was etwa die Seele ergriffe, beseelt sein, sondern sie würde sich gleich wie um den Mittelpunkt eines jeden Dinges selbst festsetzen und die ganze übrige Masse des Organismus unbeseelt lassen.
Die Seele muss also in dieser Weise eins und vieles, theilbar und untheilbar sein, und man muss nicht glauben, es sei unmöglich, dass eben diesselbe und eine auf vielfache Art sei.
Denn wollten wir dies nicht annehmen, so würde es eine alles zusammenhaltende und ordnende Natur nicht, geben, welche zugleich alles umfassende hält und mit Weisheit leitet: eine Vielheit, da ja des Seienden viel ist, eine Einheit, damit, das zusammenhaltende Band eins sei; durch ihre vielfache Einheit führt sie allen Theilen Leben zu, durch die untheilbare Einheit leitet sie weise. Wo aber nicht Weisheit vorhanden, da ahmt dies leitende Princip dem Einen nach. Das also besagt die göttliche Ahnung und Andeutung des Plato: 'aus der untheilbaren und sich stets gleich bleibenden und der hinsichtlich der Körper theilbar werdenden Wesenheit schuf er durch Mischung aus beiden eine dritte Form der Wesenheit.' Auf diese Weise also ist die Seele eins und vieles. Die an den Körpern befindlichen Formen sind vieles und eins, die Körper sind nur vieles, das Höchste und Oberste ist nur eins.

Ezequiel Martins Paz
Tradução do texto alemão de Hermann Friedrich Müller, 1878.
Palavras entre [] são do Autor Alemão
Palavras entre {} do Tradutor.

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