quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Plotino – Sobre o Belo – Parte 09


9_  O que vê pois aquele olho interior? Imediatamente após sua abertura ele ainda não pode suportar a forte claridade. Por isto deve-se acostumar a própria alma, primeiramente a olhar para uma bela maneira de viver; então para belas obras, não obras como as artes produzem, mas como as que partem de bons homens. E então observe ela a alma daqueles, que realizam boas obras.
    Mas como consegues tu ver, qual beleza é característica de uma boa alma? Retira-te em ti mesmo e olhe, e se tu mesmo ainda não te vês como belo, então retira, como o escultor, que daquilo, que deve ser belo, retira e raspa um pouco aqui e um pouco lá, as vezes aplaina aqui as vezes limpa acolá, até que ele consegue em sua escultura um belo rosto, assim retira tu também tudo fora o que é supérfluo, endireita novamente o que está torto, limpa o que está escuro e deixa se tornar claro, em resumo não pare de trabalhar na tua imagem, até que em ti o brilho divino da virtude resplandeça, até que tu avistes a ponderação, que vive sobre solos santos.
    Se tu tens te tornado nisto e vês a ti mesmo e te relacionas puro contigo mesmo, sem que algo mais te atrapalhe, de te tornares tão unificado contigo mesmo sem que no teu interior tenhas uma mistura extra adicionada a ti próprio, mas sim sejas absolutamente tu mesmo, verdadeiramente luz, uma luz nem mensurada por grandezas nem forçada por aparências em limites estreitos nem por outro lado alongada até grandezas extremas, mas sim simplesmente infinita, de tal forma que esteja sobre todas as definições mensuráveis e todas as quantificações – quando tu veres, que tu tens te tornado nisto e já alcançastes a acuidade de visão interior: então toma coragem para ti mesmo, avança partindo de lá mais para a frente, tu não necessitas mais de nenhum guia, e olha com um fixo olhar para a tua frente. Pois somente tais olhos veem a total {e} completa beleza.
    Mas se, o olhar através do esforço começa a embaçar e enturvar ou enfraquecer, ao ver, sendo que com temor feminino não consegue suportar a forte claridade, então ele não vê absolutamente nada, mesmo que um outro quisesse lhe mostrar o que é por si só visível, que esta a sua frente. Pois olhos familiares e feitos semelhantes ao objeto em vista se deve trazer consigo para ver. Nunca teriam os olhos visto o sol, se eles não fossem eles mesmos solares; assim também não pode uma alma ver o belo, se ela não é também bela.
    Por isto se torne cada um primeiro semelhante a Deus e belo, se ele deseja ver o bem e o belo. Primeiro ele vai na sua ascensão chegar ao espírito-intelecto e lá irá ver todas as belas ideias, e ele vai dizer, que as ideias são o belo. Pois tudo é belo através delas, através da criação e da essência do espírito-intelecto. O que está acima disto, nós denominamos a natureza do bem, o qual tem o belo como um cobertura diante de si, assim que ele, para resumir, é o belo original.
     Diferencia-se o espírito-intelecto, então iremos denominar o belo do espírito-intelecto o mundo das ideias, o que esta acima disto fonte do bem e princípio do belo. Ou então nós iremos definir o bem e o belo original como idênticos. Lá em todo caso está o belo.
9.   Was sieht nun jenes innere Auge? Sofort bei seiner Eröffnung kann es noch nicht das allzu Helle ertragen. Daher muss man die Seele selbst gewöhnen, zuerst auf eine schöne Lebensweise zu blicken; dann auf schöne Werke, nicht Werke wie die Künste sie zu Wege bringen, sondern wie sie von guten Männern ausgehen. Dann betrachte die Seele derer, die gute Werke vollbringen.
    Wie willst du aber sehen, welche Schönheit einer guten Seele eigen ist? Ziehe dich in dich selbst zurück und schaue, und wenn du dich selbst noch nicht als schön erblickst, so nimm, wie der Bildhauer, der an dem, was schön werden soll, bald hier bald da etwas wegnimmt und abschleift, bald hier glättet bald dort säubert, bis er an seinem Bilde ein schönes Antlitz zu Stande bringt, auch du alles das weg was überflüssig ist, mache das Krumme wieder gerade, reinige das Dunkle und lass es hell werden, kurz höre nicht auf zu zimmern an deinem Bilde, bis an dir der göttliche Glanz der Tugend hervorleuchtet, bis du die Besonnenheit erblickst, die auf heiligem Grunde wandelt.
    Wenn du das geworden bist und dich selbst siehst und rein mit dir selbst verkehrst, ohne dass dich weiter etwas hindert, so selbsteinig zu werden ohne dass du in deinem Innern eine weitere Beimischung zu deinem Selbst hast, sondern ganz du selbst bist, wahrhaftiges Licht, ein Licht weder durch Grösse bemessen noch durch Gestalt in enge Schranken gezwängt noch andrerseits zu massloser Grösse ausgedehnt, sondern schlechthin unendlich, so dass es über alle Massbestimmung und alle Quantität hinaus ist - wenn du siehst, dass du dazu geworden bist und du bereits die innere Sehkraft erlangt hast: dann fasse Muth für dich selbst, schreite von da aus weiter vor, du bedarfst keines Führers mehr, und schaue unverwandten Blicks vor dich hin. Denn nur ein solches Auge sieht die ganze volle Schönheit.
    Wenn es aber, den Blick durch Laster umflort und ungereinigt oder schwach, zum Sehen sich anschickt, indem es in weibischer Feigheit das allzu Helle nicht ertragen kann, so sieht es garnichts, auch wenn ein andrer ihm das an sich Sichtbare zeigen wollte, was vor ihm liegt. Denn ein dem zu sehenden Gegenstande verwandt und ähnlich gemachtes Auge muss man zum Sehen mitbringen. Nie hätte das Auge jemals die Sonne gesehen, wenn es nicht selber sonnenhaft wäre; so kann auch eine Seele das Schöne nicht sehen, wenn sie nicht selbst schön ist.
    Darum werde jeder zuerst gottähnlich und schön, wenn er das Gute und Schöne sehen will. Zuerst wird er bei seinem Emporsteigen zur Vernunft kommen und wird dort alle die schönen Ideen sehen, und er wird sagen, dass die Ideen das Schöne sind. Denn alles ist durch sie schön, durch die Schöpfungen und das Wesen der Vernunft. Was darüber hinaus liegt, nennen wir die Natur des Guten, welche das Schöne als Hülle vor  sich hat, so dass sie, um es kurz zu sagen, das Urschöne ist.
    Unterscheidet man das Intelligible, so werden wir das intelligible Schöne die Welt der Ideen nennen, das darüber hinausliegende Gute Quelle und Princip des Schönen. Oder aber wir werden das Gute und das Urschöne als identisch setzen. Dort jedenfalls liegt das Schöne.

Ezequiel Martins Paz
Tradução do texto alemão de Hermann Friedrich Müller, 1878.
Palavras entre [] são do Autor Alemão
Palavras entre {} do Tradutor.

2 comentários:

  1. Salve, salve Ezequiel!
    Caro, você teria o resto da enéada I, 6, isto é, o tratado 1 (o Sobre o Belo, do qual você aqui põe um excerto) ? Não consigo encontrar em lugar algum em português. Já li a versão em inglês e trechos da francesa, mas adoraria poder lê-la em nossa língua também. Será que você pode me ajudar?
    Um abraço

    Lucas

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    Respostas
    1. Prezado Lucas, infelizmente só tenho em Alemão e Inglês, e não tenho condições no momento de realizar uma tradução. Não conheço também nenhuma tradução em Português da Enéada.
      Abraços

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