quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Plotino – Sobre a Essência da Alma – Parte 01


    Este texto de Plotino sobre a alma, se encontra na Enéada IV, livro 1. Na verdade toda a quarta Enéada é dedicada ao estudo da alma. Nenhum outro filósofo da antiguidade realizou um tão profundo estudo da alma. Para Plotino, conhecer o ser humano significa conhecer a essência da alma. Neste livro Plotino apresenta sua teoria de uma alma com duas características: a de ser divisível e ao mesmo tempo indivisível. Para compreendê-lo, pode-se tomar de forma simplificada um coral como exemplo, que apesar de ser um, não deixa de estar dividido em várias vozes e membros, e no entanto, não deixa de ser um.
Sobre a essência da alma ou de que modo pode-se dizer, que a alma se encontra no meio entre as substâncias indivisíveis e divisíveis?

    No mundo inteligível se encontra o verdadeiro ser: o espírito-intelecto é o melhor deles; Mas almas também existem lá; partindo de lá elas estão também aqui. E aquele mundo possui almas sem corpo, este pelo contrário possui aquelas que se encontram em corpos e através dos corpos divididas. Lá todo o espírito-intelecto está unido e nada {há} de distinto e dividido, unidas também {estão} todas as almas neste único mundo, não em espaços separados.
O espírito-intelecto permanece portanto sempre indiferenciado e não dividido, mas a alma é somente lá indiferenciada e indivisível; mas está em sua essência ser dividida. Pois a sua divisão é o distanciar-se e o penetrar no corpo. Com razão se diz então sobre ela diante dos corpos, ela está dividida, porque ela desta maneira se afastou e está dividida.
Mas como ela é também indivisível? Ela não se afastou na verdade totalmente, mas sim uma parte dela não desceu para cá, {parte esta} em cuja natureza não constava o tornar-se divisível.
A afirmação pois, de que ela é formada da {parte} indivisível e da nos corpos dividida, resulta no mesmo de se dizer, que ela é formada de uma superior e uma inferior, ou de uma conectada naquele mundo e se estendendo até este mundo, assim como um raio parte do centro.
Mas ao chegar aqui ela vê então com aquelas partes, com as quais ela assegura também a natureza da totalidade. Pois mesmo aqui ela não é somente divisível, mas também indivisível; pois o que nela é dividido, isto é dividido de forma indivisível. Quando ela se adentrou de fato em todo corpo, ela está, não dividida contanto que se adentrou totalmente em um todo, e dividida contanto que ela esteja presente em cada parte.
Ueber das Wesen der Seele oder In wiefern lässt sich sagen, dass die Seele zwischen der ungetheilten und getheilten Substanz in der Mitte steht?
   
    In der intelligiblen Welt befindet sich die wahrhafte Wesenheit: der Geist ist das beste derselben; Seelen sind aber auch dort; von dort aus sind sie ja auch hier. Und jene Welt hat Seelen ohne Körper, diese dagegen die in Körpern befindlichen und durch die Körper getheilten. Dort ist der ganze Geist zusammen und nichts unterschiedenes und getheiltes, zusammen auch alle Seelen in dieser einigen Welt, nicht in räumlicher Geschiedenheit.
Der Geist nun ist stets ununterschieden und nicht getheilt, die Seele aber bloss dort ununterschieden und ungetheilt; es liegt aber in ihrer Natur getheilt zu werden. Denn ihre Theilung ist das Sich-entfernen und in den Körpertreten. Mit Recht sagt man also bei den Körpern von ihr, sie sei getheilt, weil sie sich so entfernt und getheilt ist.
Wie ist sie denn aber auch ungetheilt? Sie hat sich nämlich nicht ganz entfernt, sondern ein Theil von ihr ist nicht herabgekommen, in dessen Natur es nicht lag getheilt zu werden.
Die Behauptung also, dass sie aus der ungetheilten und der in Körper getheilten bestehe, kommt auf dasselbe hinaus wie wenn man sagt, sie besteht aus einer obern und untern, oder aus einer ans Jenseits geknüpften und sich bis ins Diesseits ausbreitenden, etwa wie ein Radius vom Centrum ausgeht.
Hierher gekommen schaut sie aber mit dem Theile, mit dem sie auch die Natur des Ganzen behauptet. Denn selbst hier ist sie nicht nur getheilt, sondern auch ungetheilt; denn was an ihr getheilt wird, das wird auf ungetheilte Weise getheilt. Wenn sie sich nämlich in den ganzen Körper hineingegeben hat, ist sie, nicht getheilt sofern sie sich ganz in einen ganzen hineingegeben, getheilt sofern sie in jedem Theile gegenwärtig ist.


Ezequiel Martins Paz
Tradução do texto alemão de Hermann Friedrich Müller, 1878.
Palavras entre [] são do Autor Alemão
Palavras entre {} do Tradutor.

5 comentários:

  1. Filosofar não pode ser apenas fazer afirmações. É preciso também tentar justificá-las racionalmente.
    Não conheço a obra de Plotino. Mas ao ler este excerto interrogo-me: como é que ele podia saber aquelas coisas? Como se pode justificar racionalmente tais crenças?

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  2. Prezado Carlos, primeiro muito obrigado pelo seu comentário. Não é só vc que não conhece a obra de Plotino, em geral poucos conhecem no Brasil a obra e a importância de Plotino, mesmo porque ela ainda não foi traduzida totalmente para o Português (veja, Plotino Parte 1). Sobre como ele podia saber tais coisas, e sobre "justificar crenças racionalmente": Primeiro, todo o nosso saber atual, é um saber discursivo, ou seja, eu sei porque ouvi dizer, porque li, porque vi ou senti. No entanto, todos este saber é deficiente, também baseado em teorias e crenças que amanhã podem ser refutadas, e não nos dão a conhecer a coisa em si (Kant). Plotino procurava o saber intuitivo, não discursivo, onde o conhecedor e o conhecido se tornam um. Sobre as crenças, segue um excelente link de um texto comentando Karl Popper,sobre a filosofia da ciência e o racionalismo crítico.

    http://www.if.ufrgs.br/~lang/POPPER.pdf

    Abraço

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  3. Olá tudo legal? Gostaria de convidar conhecer meu trabalho no blog Ecos no endereço www.ecosdotelecoteco.blogspot.com . Forte abraço aí e sucesso com o blog. T +

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  4. OLÁ Ezequiel!
    O ser em si pode nos remeter ao conceito puro de Kant ou ao abstrato conceito que criamos do nada. Entre as premissas intuitivas do ser em relação a realidade Platônica, podemos encontrar nesta divisão de idéias uma imensa caverna de sombras. Com certeza Plotino vai muito além da nossa vaga filosofia. Somos muito presos ao convencionalismo que exige uma postura concreta das idéias racionalistas. Acredito que o metafísico está para nós como o alimento. Bem caro amigo, se assim posso lhe chamar? Gostaria de trocar idéias com você. Entre no meu blog, tem alguns textos muito bons. Recomendo meu texto Fora da Caverna, uma apologia ao Mito da Caverna. Caso leia, gostaria de um comentário.
    Um grande abraço e parabéns pelos textos postados em seu blog
    Regisfilósofo

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  5. Prezado Ezequiel,
    Gostei imensamente do seu Blog. Tornei-me seguidor.
    Gostaria de convidá-lo a conhecer o meu,
    orientencanto.blogspot.com
    com textos, imagens, clips e filmes sobre o Oriente.
    Grande Abraço, Carlos de Faria Júnior.

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