terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Plotino – Sobre o Belo – Parte 08



8_  Mas de que maneira e como se deve atacá-la*? Como se pode ver a impronunciável beleza, que permanece por assim dizer no mais interior do santuário e não vem para fora, para que também um não iniciado pudesse vê-la? Então vá e entre no seu interior, quem o conseguir. Ele deixe de fora, o que a visão dos olhos vê, ele não se volte para aquilo, que anteriormente lhe parecia como o brilho de uma bela corporeidade. Pois quando se avista a beleza corpórea, não é necessário desejar dissolver-se nela, mas sim consciente, de que ela demostra somente esquemas e sombras, fugir para aquele, do qual ela é imagem.
   Pois quem corresse, para abraçá-la como algo verdadeiro, assim como uma belo vulto, que se balanceia sobre a água – alguém, que uma tal coisa quisesse abraçar, assim se diz em um significativo mito, afundou nas profundezas da torrente e não foi mais visto, - este iria, se ele se apegasse no belo do mundo sensível e não se soltasse, afundar bem da mesma maneira não corporeamente na verdade mas espiritualmente na escuridão, das para o espírito-intelecto desagradáveis profundezas, viveria então cego no Hades e aqui e acolá se relacionaria com sombras.
    “Levantemo-nos, vamos fugir para a querida pátria dos patrícios” é o que de preferência devemos gritar a nós mesmos. Mas para onde vai a fuga e como podemos chegar a mar aberto? Como sugeriu Odysseus, quero crer, que se afastando rapidamente da feiticeira Kirke ou do Kalypso não achou agrado em ficar, mesmo que seus olhos se banqueteassem em vista do prazer e ele desfrutava muito as belezas sensíveis. Mas pátria e pai estão para nós lá, de onde nós viemos.
   E como acontece a nossa viajem e fuga? Não devemos peregrinar para lá a pé, pois os pés nos levam de um pais para a outro. Não precisamos procurar por um meio de condução nem com cavalos nem nos mares, mas se deve sim deixar tudo isto e nem ver, se deve fechar os olhos por assim dizer, troca-los por outros e abri-los, {olhos tais} que todos possuem, mas dos quais poucos se utilizam.
*No sentido de fazer.
8.  Aber auf welche Art und wie soll man das angreifen? Wie soll man die unsagbare Schönheit sehen, die gleichsam im innersten Heiligthum bleibt und nicht herauskommt, dass sie auch ein Uneingeweihter zu sehen bekäme? So gehe denn und kehre ein in sein Inneres, wer es vermag. Er lasse draussen, was der Blick des Auges erschaut, er sehe sich nicht um nach dem, was ihm vormals als Glanz schöner Leiblichkeit erschien. Denn wenn man die leibliche Schönheit erblickt, muss man nicht in ihr aufgehen wollen, sondern im Bewusstsein, dass sie nur Schemen und Schattenbilder zeigt, zu dem flüchten, dessen Abbild sie ist.
   Denn wer heranliefe, um sie als etwas Wahrhaftes zu umfangen, etwa wie eine schöne Gestalt, die sich auf dem Wasser schaukelt - jemand, der eine solche umfassen wollte, heisst es in einem bekannten, sinnreichen Mythus, versank in die Tiefe der Fluth und ward nicht mehr gesehen, - der würde, wenn er sich an dem Schönen der Sinnenwelt festhielte und nicht davon losliesse, ganz in derselben Weise zwar nicht leiblich doch geistig in dunkle, der Vernunft unerfreuliche Tiefen versinken, würde dann blind im Hades leben und hier und dort mit Schatten verkehren.
   'Auf, lasst uns fliehn zum geliebten Lande der Väter' wollen wir uns lieber zurufen. Aber wohin geht die Flucht und wie wollen wir ins offne Meer gelangen? Wie es Odysseus andeutet, sollte ich meinen, der von der Zauberin Kirke oder Kalypso wegeilend keinen Gefallen am Bleiben fand, obgleich sein Auge im Anblicke der Lust schwelgte und er sinnliche Schönheit vollauf genoss. Vaterland aber und Vater sind für uns dort, von dannen wir gekommen sind.
   Und wie geht unsre Fahrt und Flucht vor sich? Nicht zu Fuss sollen wir hinwandern, denn die Füsse tragen uns von einem Lande zum andern. Wir brauchen uns nicht nach einem Fuhrwerk mit Rossen noch zu Meere umzusehen, sondern das alles muss man lassen und gar nicht sehen, man muss sein Auge gleichsam schliessen, man muss ein andres dafür eintauschen und eröffnen, das alle besitzen, dessen sich aber wenige bedienen.


Ezequiel Martins Paz
Tradução do texto alemão de Hermann Friedrich Müller, 1878.
Palavras entre [] são do Autor Alemão
Palavras entre {} do Tradutor.

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