quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Plotino – Sobre o Belo – Parte 06


Importante: A palavra grega Nous muito utilizada por Plotino, tem desde a antiguidade inúmeras traduções. Ela pode significar, razão, intelecto, inteligência ou espírito. O mesmo acontece com a palavra alemã Vernunft. No entanto, nenhuma destas palavras sozinhas é adequada para denominar este importante Ser que emana imediatamente do Uno. Por isto, optei em utilizar a palavra composta espírito-intelecto, pois inclui quase todas as demais.
Todos os textos anteriores foram corrigidos.

6_É na verdade, como ensina o velho ditado, a moderação, a valentia, em geral qualquer virtude uma purificação, assim como também a própria sabedoria. Por isto é obscuramente sugerido com razão nos rituais religiosos, que o impuro também na moradia do Hades deveria deitar na lama, pois o impuro através de sua maldade tem algo de comum com a lama, como de fato também os porcos com seu corpo sujo em coisas deste tipo acham agrado.
O que seria pois então a verdadeira sensatez senão, o evitar a relação com prazeres sensíveis, deles fugir como impuros e indignos de uma pessoa pura?
A valentia é o não temer diante da morte. Mas a morte consiste na alma estar separada do corpo. Disto não se amedronta aquele, que encontra a sua alegria em estar sozinho. A grandeza da alma consiste em olhar por cima das {coisas} terrenas. A sabedoria é o pensamento em seu afastamento do mundo aqui em baixo, o pensamento, que eleva a alma para o alto.
Estando então a alma purificada, ela se transforma em ideia, em espírito-intelecto puro, absolutamente incorpórea, espiritual e totalmente permeada pelo divino, de onde vem a fonte do belo e tudo aquilo, o que é com ele associado.
Elevada a espírito-intelecto, a alma é bela na maior perfeição possível. Espírito-intelecto e o que advém do espírito-intelecto, é a própria beleza original da alma, que não se achega a ela como algo estranho, pois a alma na verdade é apenas isto. Por isto se diz também com razão, que o tornar-se bom e belo da alma é um tornar-se semelhante a Deus, pois dele procede também o belo e a melhor parte do ser. Ou melhor ainda o existente é a beleza, mas a outra natureza é o feio. Mas o feio e o mal original são idênticos, assim que pelo contrário também aqueles {outros} são bom e belo, ou melhor são o Bem e o Belo.
Da mesma maneira então têm-se que buscar o belo e o bom, o feio e o mal. Por primeiro se deve portanto colocar a beleza que é idêntica com o Bem. Dela procede o espírito-intelecto como a beleza por excelência. Através do espírito-intelecto a alma é bela. As outras {coisas}, que em atos e ações são belas, o são através da moldagem pela alma. Também no mundo corpóreo aquelas coisas, que merecem o nome de belas, são feitas assim através da alma. E já que ela é de fato algo divino, igualmente uma parte do belo, então ela faz tudo belo, o que ela toca e domina, até o ponto que estas coisas estão em condições de absorver.

6. Es ist ja eben, wie der alte Spruch lehrt, Mässigung, Tapferkeit, überhaupt jede Tugend eine Reinigung, so auch die Weisheit selbst. Deshalb wird auch mit Recht in den religiösen Weihen dunkel darauf hingedeutet, dass der Ungereinigte auch in des Hades Behausung im Schlamme liegen müsse, weil das Unreine durch seine Schlechtigkeit mit dem Schlamme etwas Verwandtes hat, wie ja auch die Schweine mit ihrem unsaubern Leibe an derartigem Gefallen finden.
Was wäre auch wohl die wahre Besonnenheit andres, als den Verkehr mit sinnlichen Vergnügungen abzuweisen, sie als unrein und eines reinen Menschen unwürdig zu fliehen?
Die Tapferkeit ist Furchtlosigkeit vor dem Tode. Der Tod aber ist das Getrenntsein der Seele vom Körper. Davor fürchtet sich der nicht, der seine Freude daran findet allein zu sein. Die Seelengrösse ist das Hinwegsehen über das Irdische. Die Weisheit ist das Denken in seiner Wegwendung von der Welt hier unten, das Denken, welches die Seele zu dem Höheren emporführt.
Ist nun die Seele geläutert, so wird sie zur Idee, zur reinen Vernunft, schlechthin unkörperlich, geistig und ganz vom Göttlichen durchdrungen, von wo aus die Quelle des Schönen kommt und alles dessen, was mit ihm verwandt ist.
Emporgeführt zur Vernunft, ist die Seele schön in möglichster Vollkommenheit. Vernunft und was von der Vernunft ausgeht, ist die der Seele ursprüngliche, eigene Schönheit, die nicht als etwas Fremdes an sie herantritt, weil die Seele dies allein in Wahrheit ist. Deshalb sagt man auch mit Recht, das Gut- und Schön- werden der Seele sei ein Aehnlichwerden mit Gott, weil von ihm aus das Schöne und der bessere Theil des Seienden kommt. Oder vielmehr das Seiende ist die Schönheit, die andere Natur aber ist das Hässliche. Es ist aber das Hässliche und das ursprünglich Böse identisch, so dass umgekehrt jenes zugleich gut und schön, richtiger das Gute und die Schönheit ist.
Auf gleiche Weise also hat man das Schöne und das Gute, das Hässliche und das Böse zu suchen. Als das erste ist demnach die mit dem Guten identische Schönheit zu setzen. Von ihr geht die Vernunft aus als das schlechthin Schöne. Durch die Vernunft ist die Seele schön. Das andre, was an Thaten und Handlungen schön ist, ist es durch die Gestaltung der Seele. Auch in der Körperwelt wird das, was den Namen des Schönen verdient, durch die Seele dazu gemacht. Da sie nämlich etwas Göttliches, gleichsam ein Theil des Schönen ist, so macht sie alles das schön, was sie berührt und bewältigt, so weit dieses im Stande ist es aufzunehmen.
Ezequiel Martins Paz
Tradução do texto alemão de Hermann Friedrich Müller, 1878.
Palavras entre [] são do Autor Alemão
Palavras entre {} do Tradutor.

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