sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Plotino – Sobre o Belo – Parte 05



5_Agora nós precisamos colocar a nossa pergunta também para aqueles, que estão repletos de amor pelo suprassensível. O que vocês sentem ante as assim chamadas belas instituições, belos costumes, caracteres moderados, principalmente ante as obras e os estados da virtude e ante o belo das almas? O que vocês sentem, quando vocês mesmos se enxergam belos nos seus interiores?
Porque acontece, que vocês diante disto irrompem em altos júbilos e entram em forte comoção, que vocês anseiam, dos laços do corpo serem livres, {e} entrar em relação amorosa com vocês mesmos? Pois este é de fato o sentimento daqueles, que de verdade estão tomados pelo amor. Mas qual é o objeto de um tal sentimento?
Nenhuma figura, nenhuma cor, nenhuma grandeza, mas sim a alma, que é ela mesma incolor e tem a luz pura, incolor da sabedoria e demais virtudes em si, quando vocês avistam ou em vocês mesmos ou em um outro a generosidade, convicções justas, verdadeira sabedoria, bravura com seu rosto serio,  maravilhosos modos e natureza culta, que floresce em uma atmosfera tranquila, não agitada por nenhuma onda, por nenhuma paixão, mas sobre tudo isto veem resplandecer o espírito-intelecto semelhante a Deus.
E porque denominamos isto então, sendo que o admiramos e amamos, belo? Bem, ele é evidente e se dá indiscutivelmente a conhecer como o verdadeiro ser. Mas o que é ele no seu verdadeiro ser? Talvez belo? Só que ainda não se concluiu deste estudo, através de qual dos seus traços ele faz a alma amável. O que é isto, que em todas as virtudes resplandece como luz?
Queres tu talvez tomar o contrário e contrapô-lo diante, do que na alma pode ocorrer de feio? Talvez seja para o resultado de nosso estudo de importância saber, o que na verdade é o feio e porque ele aparece como tal.
Tomemos pois uma alma feia, desenfreada e injusta, repleta de desejos sensuais, uma alma cheia de inquietação, cheia de temores covardes, cheia de inveja mesquinha, seja o que for que ela pense sempre se deixando levar somente em pensamentos baixos e passageiros, sempre traiçoeira andando furtivamente por caminhos laterais, uma amiga de prazeres impuros, dependente em sua vida somente de influências corpóreas, uma alma, que no feio encontra o seu prazer: não vamos nós dizer então, que exatamente esta feiura tem se aproximado dela assim como um mal primitivo estranho a ela, o qual vergonhosamente a deforma, tornou-a impura, impregnou-a igualmente com o mal, assim que ela não tem mais nenhuma vida pura, nenhuma sensação pura, mas sim através da mistura com o mal vive uma vida difusa, muitas vezes perpassada de morte, não mais vê, o que uma alma deve ver, não está mais em condições de permanecer em si mesma, porque está sempre atraída para o externo, terreno e escuro?
Desta forma como impura, sendo que ela se deixa levar pela primeira qualquer sedução das percepções sensíveis, em intima fusão com o corpo, em vários relacionamentos com o {que é} material, o qual ela acolhe em si, ela ganhou através da mistura com o ruim uma aparência bem diferente; igualmente como se alguém que mergulhasse no banhado ou na sujeira e então não deixasse mais resplandecer a sua beleza original, mas sim teria que ser vista com aquilo, que do banhado e da sujeira nela se fixaram. À ele veio então o feio através da aproximação do que é estranho e se ele deseja voltar a ser belo, ele precisa através de trabalhosas lavagens e limpezas retornar ao seu estado original.
Assim se pode dizer com propriedade, que a alma se tornou feia através de sua mistura, união e seu entrar para o corpo e para a matéria. E isto é para a alma uma feiura, não mais estar limpa e pura,  como para o ouro, ainda estar preso na escória. Quando se remove a escória, fica de resto o ouro e descansa separado de todos os outros em sua em si mesma imersa beleza.
Assim também a alma. Somente quando ela está desconectada dos desejos, com os quais ela devido a sua intima relação com o corpo está presa, quando ela está livre das demais paixões, purificada daquilo, que ela em sua incorporação tem em si, e permanece só, ela trata de despojar toda feiura da natureza ruim.






5. Nun müssen wir unsre Fragen auch an diejenigen stellen, die von Liebe zu dem Uebersinnlichen erfüllt sind. Was empfindet ihr bei sogenannten schonen Einrichtungen, schonen Sitten, massvollen Charakteren, überhaupt bei den Werken und Zuständen der Tugend und bei der Schönheit der Seelen? Was empfindet ihr, wenn ihr euch selbst als schon in eurem Innern erblickt?
Wie kommt es, dass ihr da in lauten Jubel ausbrecht und in heftige Bewegung gerathet, dass ihr euch sehnt, von den Banden des Körpers befreit, in Liebesverkehr mit euch selbst zu treten? Denn das ist in der That die Empfindung derer, die in Wahrheit von Liebe ergriffen sind. Was ist aber der Gegenstand einer derartigen Empfindung?
Keine Gestalt, keine Farbe, keine Grösse, sondern die Seele, die selbst farblos ist und das reine, farblose Licht der Weisheit und übrigen Tugenden an sich hat, wenn ihr entweder an euch selbst oder an einem andern Hochherzigkeit, gerechte Gesinnung, lautere Weisheit erblickt, Tapferkeit mit ihrem ernsten Angesicht, würdevollen Anstand und züchtiges Wesen, das emporblüht an einer ruhigen, von keiner Woge, von keiner Leidenschaft bewegten Stimmung, über dem allen aber die gottgleiche Vernunft hervorleuchten seht.
Und weshalb nennen wir nun das, indem wir es bewundern und lieben, schön? Nun, es ist offenbar und giebt sich unwidersprechlich als das wahrhaft Seiende zu erkennen. Aber was ist es in seinem wahrhaften Sein? Etwa schön? Allein noch hat sich aus der Untersuchung nicht ergeben, durch welchen Zug seines Seins es die Seele liebenswürdig macht. Was ist das, was an allen Tugenden hervorleuchtet wie Licht?
Willst du einmal das Gegentheil nehmen und das gegenüber halten, was an der Seele Hässliches vorkommen kann? Vielleicht ist es für das Ergebniss unsrer Untersuchung von Belang zu wissen, was eigentlich das Hässliche ist und warum es als solches erscheint.
Nehmen wir also eine hässliche, zügellose und ungerechte Seele, vollgepfropft mit sinnlichen Begierden, eine Seele voll Unruhe, voll feiger Furcht, voll kleinlichen Neides, was sie auch denken mag immer nur in niedrigen und vergänglichen Gedanken sich ergehend, stets hinterlistig auf Seitenpfaden schleichend, eine Freundin unreiner Genüsse, in ihrem Leben nur von körperlichen Einflüssen abhängig, eine Seele, die am Hässlichen ihre Lust findet: werden wir nun nicht sagen, dass eben diese Hässlichkeit wie ein ihr ursprünglich fremdes Uebel an sie herangetreten ist, welches sie schmählich verunstaltet, sie unrein gemacht, sie mit dem Bösen gleichsam durchsäuert hat, so dass sie kein reines Leben, keine reine Empfindung mehr hat, sondern durch die Vermischung mit dem Bösen ein verschwommenes, vielfach vom Tode durchdrungenes Leben führt, nicht mehr das sieht, was eine Seele sehen soll, nicht mehr im Stande ist bei sich selbst zu bleiben, weil sie stets zum Aeusserlichen, Irdischen und Dunkeln hingezogen wird?
So als unrein, indem sie sich von den ersten besten Lockungen der sinnlichen Eindrücke hinreissen lässt, in inniger Durchdringung mit dem Leibe, in vielfachem Verkehr mit dem Materiellen, das sie in sich aufnimmt, hat sie durch die Vermischung mit dem Schlechten ein ganz andres Aussehen angenommen; gleichsam wie wenn einer sich in Schlamm oder Schmutz eintaucht und nun nicht mehr seine ursprüngliche Schönheit erscheinen lässt, sondern mit dem gesehen werden muss, was von dem Schlamm und Schmutz sich an ihm festgesetzt hat. Ihm ist also das Hässliche durch das Herantreten des Fremdartigen gekommen und wenn er wieder schön werden will, muss er durch mühsames Waschen und Reinigen in seinen ursprünglichen Zustand zurückkehren.
So könnte man mit Recht sagen, die Seele sei hässlich geworden durch ihre Vermischung, Verbindung und ihr Hinneigen zum Körper und der Materie. Und es ist dies eine Hässlichkeit für die Seele, nicht mehr rein und lauter zu sein, wie für das Gold, noch in der Schlacke zu stecken. Erst wenn man die Schlacke entfernt, bleibt das Gold übrig und ruht losgelöst von allem andern in seiner in sich selbst versunkenen Schönheit.
So auch die Seele. Erst wenn sie losgelöst ist von den Begierden, mit denen sie in Folge ihres zu innigen Verkehrs mit dem Körper behaftet ist, wenn sie befreit ist von den übrigen Leidenschaften, gereinigt von dem, was sie in ihrer Verkörperung an sich hat, und allein bleibt, pflegt sie alle Hässlichkeit der schlechteren Natur abzulegen.
Ezequiel Martins Paz
Tradução do texto alemão de Hermann Friedrich Müller, 1878.
Palavras entre [] são do Autor Alemão
Palavras entre {} do Tradutor.

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