domingo, 27 de dezembro de 2009

Plotino – Sobre o Belo – Parte 03



3_Mas o belo é reconhecido através de uma faculdade especialmente destinada para isto, que está perfeitamente capacitada para julgar em sua esfera, tão logo o restante da alma endosse o seu julgamento. Mas talvez {seja} também  que a própria alma decida sobre isto, quando ela comensura o objeto percebido segundo a ideia que habita o seu interior, a qual ela se utiliza durante o julgamento, algo assim como {quando} se utiliza de uma régua, onde se trata de um retilíneo.
Mas como se compatibiliza o corpóreo com o incorpóreo? Como comensura o mestre de obras uma casa que se encontra fora dele segundo a sua ideia interior de casa, de modo que ele a identifique como bela? Certamente, porque a casa exterior a ele, com exceção das pedras, nada mais é do que a interior, dividida na verdade através das medidas da matéria externa, mas mesmo que ela apareça na multiplicidade, é contudo idéia não dividida. Se agora também a percepção sensível avistar a ideia que habita no interior dos corpos, como ela domina e compõe em uma unidade a natureza sem forma que lhe confronta, e a forma, que para outras formas foi repassada de forma graciosa, uni então aquela multiplicidade em uma totalidade, ressalta-a e põe em junção com a ideia não dividida já disponível no interior e apresenta-lhe como algo coincidente, parente e familiar: assim como para um homem justo é uma visão alegre, quando na face de um jovem aparece um sinal de virtude, que com a verdade no seu interior coincide.
O belo das cores existe simplesmente através da conformação e domínio da na matéria existente escuridão por meio da adição da luz incorpórea partindo do espírito-intelecto e das ideias. Daí também que o fogo em comparação com as outras coisas do mundo corpóreo é em si belo, porque ele em relação com os demais elementos toma a posição de uma ideia; pois ele está voltado para cima, ele é o mais rarefeito de todos os demais corpos, {e} igualmente a transição para o incorpóreo; o fogo sozinho não absorve nada outro em si, enquanto ele mesmo tudo o mais permeia; pois as coisas se tornam quentes, mas o fogo não se torna frio; ele possui as cores básicas e as outras coisas tomam dele a coloração por excelência. Ele também ilumina e brilha, como se ele mesmo fosse uma ideia. O fogo entretanto, que não domina a matéria, com sua luz fosca pálida, não é mais belo, pois ele de certa forma não participa na ideia da coloração em sua totalidade.
As interiores, harmonias dos sons que não são perceptíveis, que fazem surgir aquelas, que nós com nossos ouvidos percebemos, abrem com isto igualmente também para a alma a compreensão do belo, quando elas em um outro deixam aparecer a sua própria natureza. Entretanto está incluído na natureza dos sons percebidos, que eles não se deixam medir segundo proporções ideais absolutas, mas sim ideais somente até o ponto, que eles servem para ajudar a ideia na dominação da matéria.
Até aqui sobre o belo, que se baseia nas percepções sensíveis, a qual de fato me é uma imagem, um contorno de sombra, que igualmente se perdeu na matéria, a embeleza e nos enche de comoção com sua vista.
3. Die Schönheit wird aber erkannt durch ein besonderes dazu bestimmtes Vermögen, welches vollkommen befähigt ist in seinem Bereiche zu urtheilen, sobald die übrige Seele seinem Urtheile beipflichtet. Vielleicht aber entscheidet auch die Seele selbst darüber, indem sie den wahrgenommenen Gegenstand nach der ihr innewohnenden Idee bemisst, deren sie sich bei der Beurtheilung bedient, etwa wie man sich eines Richtscheits bedient, wo es sich um das Gerade handelt.
Wie aber stimmt das Körperliche mit dem Unkörperlichen zusammen? Wie bemisst der Baumeister ein ausser ihm befindliches Haus nach der ihm innerlichen Idee des Hauses, so dass er es als schön bezeichnet? Doch wohl, weil das ausser ihm befindliche Haus, abgesehen von den Steinen, nichts als die innere, zwar durch die äusserliche materielle Masse getheilte, aber trotzdem sie an der Vielheit zur Erscheinung kommt, dennoch ungetheilte Idee ist. Wenn nun auch die sinnliche Wahrnehmung die den Körpern innewohnende Idee erblickt, wie sie die gegenüberstehende gestaltlose Natur bewältigt und zur Einheit verbindet, und die Gestalt, welche auf andre Gestalten in zierlicher Weise aufgetragen ist, so fasst sie jenes Vielfache zu einer Totalität zusammen, hebt es empor und setzt es in Verbindung mit der bereits vorhandenen ungetheilten Idee im Innern und führt es ihr als etwas übereinstimmendes, verwandtes und befreundetes zu: wie es für einen rechtschaffenen Mann ein erfreulicher Anblick ist, wenn auf dem Antlitz eines Jünglings eine Spur von Tugend erscheint, die mit der Wahrheit in seinem Innern übereinstimmt.
Die Schönheit der Farbe ist einfach durch Gestaltung und Bewältigung des der Materie anhaftenden Dunkeln mittelst Hinzutreten des unkörperlichen von Vernunft und Idee ausgehenden Lichts. Daher denn auch das Feuer gegenüber den anderen Dingen der Körperwelt an sich schön ist, weil es im Verhältniss zu den übrigen Elementen den Rang einer Idee einnimmt; denn es ist nach oben gerichtet, es ist der dünnste von allen übrigen Körpern, gleichsam der Uebergang zum Körperlosen; das Feuer allein nimmt nichts andres in sich auf, während es selbst alles andre durchdringt; denn die Dinge werden warm, das Feuer aber wird nicht kalt; es enthält die Grundfarbe und die anderen Dinge entlehnen von ihm die Färbung schlechthin. Es leuchtet also und glänzt, als wäre es selbst eine Idee. Das Feuer freilich, welches die Materie nicht bewältigt, mit seinem matten bleichen Lichte, ist nicht mehr schön, weil es ja gewissermassen nicht an der Idee der Färbung in ihrer Gesammtheit Theil hat.
Die inneren, nicht in die Erscheinung tretenden Harmonieen der Töne, welche diejenigen hervorbringen, die wir mit unserm Ohre vernehmen, erschliessen hiermit zugleich auch der Seele das Verständniss des Schönen, indem sie an einem Anderen ihr selbsteignes Wesen zur Erscheinung kommen lassen. Allerdings aber liegt es mit im Wesen der vernommenen Töne, dass sie sich nicht nach absolut idealen Zahlverhältnissen bemessen lassen, sondern nur in soweit idealen, als sie dazu dienen der Idee zur Bewältigung der Materie zu verhelfen.
So viel von dem Schönen, das auf den Sinneswahrnehmungen beruht, welches ja doch mir ein Abbild ist, ein Schattenriss, der sich gleichsam in die Materie verlaufen hat, sie schmückt und uns bei ihrem Anblick mit Entzücken erfüllt.



Ezequiel Martins Paz
Tradução do texto alemão de Hermann Friedrich Müller, 1878.
Palavras entre [] são do Autor Alemão
Palavras entre {} do Tradutor.

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