segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Plotino – Sobre o Belo – Parte 01

Introdução: Este tratado, foi o primeiro escrito por Plotino (VITA 4, 22), no entanto foi posicionado por Porfírio como o sexto da primeira enéada. Nele se encontram as duas características fundamentais da filosofia plotiniana. A metafísica e a mística. A beleza do mundo sensível se identifica com formas imanentes, que tem suas origens no transcendente, nas formas perfeitas e verdadeiras da alma e do espírito.


Importante: A palavra grega Nous muito utilizada por Plotino, tem desde a antiguidade inúmeras traduções. Ela pode significar, razão, intelecto, inteligência ou espírito. O mesmo acontece com a palavra alemã Vernunft. No entanto, nenhuma destas palavras sozinhas é adequada para denominar este importante Ser que emana imediatamente do Uno. Por isto, optei em utilizar a palavra composta espírito-intelecto, pois inclui quase todas as demais.


1_O belo baseia-se em sua maioria sobre as percepções da visão, mas se baseia também sobre as da audição, como na junção de palavras e em toda a música. Pois também as melodias e os ritmos são belos. {Se} nos elevarmos das percepções sensíveis mais para cima, então existem também {lá} belas instituições, ações, situações, ciências, e finalmente uma beleza da virtude. Se {existe} ainda uma beleza mais elevada, se demonstrará na continuação.
Mas qual é então a razão causadora, que corpos sejam vistos como belos, e que a audição dê aos sons a sua aprovação como belos? E o que no mais tem a ver com a alma, até que ponto é verdadeiramente tudo belo? E além disto são todas estas coisas através da uma e a mesma coisa belas, ou existe uma beleza especial em um corpo e novamente uma especial em um outro objeto? E o que são então realmente estas diferentes ou esta uma beleza? Pois alguns objetos não são em si mesmo belos, por ex. os corpos, mas sim através da participação no belo, outros ao contrário são em si mesmos belos, como a natureza da virtude o é. Também aparecem os mesmos corpos as vezes belos as vezes não belos, assim que o seu ser como corpo é diferente do seu ser como belo corpo. O que é então isto, que constitui aqui esta específica característica do corpo? Isto deve ser então o primeiro objeto de nosso estudo.
O que é isto então, que causa aos olhos do espectador uma impressão, que lhes atrai sobre si, lhes prende e em sua aparência lhes faz achar agradável? {Se} tivermos encontrado isto, então podemos talvez utilizá-lo como pré-estágio para uma bem sucedida próxima observação.
Ora é afirmado por quase todos, que a simetria das partes uma para a outra e para a totalidade, adicionando ainda a bela coloração constitui a beleza para a percepção da visão, e para eles, como principalmente para o senso comum o ser belo é igual ao ser simétrico e ao estar preso a certas proporções.
Nesta pressuposição não pode então consequentemente nada simples ser belo mas somente o composto, as partes individuais não serão por si só belas, mas só enquanto elas em sua relação com a totalidade, causarem que esta seja bela. E entretanto precisam, se a totalidade é, também as partes individuais serem belas. Pois a beleza não pode de fato ser constituída de {partes} feias, mas sim a beleza deve ter tomado posse de todas as partes. Igualmente para os adeptos desta suposição as belas cores assim como também a luz do sol como {coisas}simples e tais coisas, que não tem sua beleza por causa da simetria, estarão fora da área do belo. Como pode então o ouro ser belo? Ou através do que o raio {será belo}, que através da noite é visto? Igualmente na área dos sons o simples não será observado, se bem que muitas vezes dos sons de uma bela melodia cada som musical individual é em si e por si belo. E se alem disso, sem que aquela simetria tenha sido mudada, a mesma visão aparece as vezes bela as vezes não bela, não se deve dizer neste caso, que o belo consiste em algo diferente do que a simetria e que o próprio simétrico é belo através de algo diferente? E se agora na continuação se voltasse para as instituições e belos discursos e também aqui se quisesse colocar a simetria como base da beleza, como se pode em belas instituições, leis, conhecimentos e ciências se falar em simetria? Como podem objetos da teoria estarem em relação simétricas uns aos outros? Talvez porque acontece uma concordância entre eles? Mas também a {teoria} ruim tem a suas semelhanças e concordâncias. Assim concorda por ex. a afirmação, autocontrole comedido é ingenuidade com aquela outra, a justiça é uma nobre benevolência. Ambas afirmações estão em harmonia uma com a outra e se correspondem. Ora a beleza da alma é alguma virtude e na verdade uma tal, que está da verdadeira beleza bem mais perto do que os tipos dela citados anteriormente. Mas como são elas simétricas? Certamente nem em grandeza, nem em números, se bem que existem várias partes da alma. Pois em que proporção devem estar a composição ou a mistura das partes ou representações umas para com as outras? E no que deve consistir a beleza do espírito-intelecto imerso como unidade em si mesmo?






1. Das Schöne beruht grösstentheils auf den Wahrnehmungen des Gesichts, es beruht aber auch auf denen des Gehörs, wie bei den Zusammenstellungen von Wörtern und in der gesammten Musik. Denn auch Melodieen und Rhythmen sind schön. Steigen wir von der sinnlichen Wahrnehmung weiter aufwärts, so giebt es auch schöne Einrichtungen, Thaten, Zustände, Wissenschaften, endlich eine Schönheit der Tugend. Ob noch eine höhere Schönheit, wird sich im weiteren Verlauf zeigen.
Was ist nun aber die bewirkende Ursache davon, dass Körper als schön erschaut werden, dass das Gehör den Tönen als schönen seine Zustimmung giebt? Und was im weiteren mit der Seele zusammenhängt, in wiefern ist das eigentlich alles schön? Und sind ferner alle diese Dinge durch ein und dasselbe schön, oder giebt es eine besondere Schönheit bei einem Körper und wieder eine besondere bei einem anderen Gegenstand? Und was sind denn nun eigentlich diese verschiedenen oder diese eine Schönheit? Denn die einen Gegenstände sind nicht an sich selbst schön, z.B. die Körper, sondern durch Theilhaben an der Schönheit, andere dagegen sind an sich selbst Schönheiten, wie es das Wesen der Tugend ist. Auch erscheinen dieselben Körper bald schön bald nicht schön, so dass ihr Sein als Körper verschieden ist von ihrem Sein als schöne Körper. Was ist denn nun das, was hier diese bestimmte Eigenschaft der Körper ausmacht? Dies muss nämlich der erste Gegenstand unsrer Untersuchung sein.
Was ist es also, was auf die Augen der Beschauer einen Eindruck macht, was sie auf sich zieht, sie fesselt und sie an seinem Anblick Gefallen finden lässt? Haben wir dies gefunden, so können wir es vielleicht als Vorstufe zu einer erfolgreichen weiteren Betrachtung brauchen.
Nun wird fast von allen behauptet, dass die Symmetrie der Theile zu einander und zum Ganzen, dazu noch schöne Färbung die Schönheit für die Wahrnehmung des Gesichts ausmacht, und für sie, wie überhaupt für das gewöhnliche Bewusstsein ist Schönsein so viel wie symmetrisch und an gewisse Massverhältnisse gebunden sein.
Bei dieser Voraussetzung kann aber folgerichtiger Weise nichts Einfaches sondern nur das Zusammengesetzte schön sein, die einzelnen Theile werden an und für sich nicht schön sein, sondern nur insofern sie in ihrer Beziehung zum Ganzen bewirken, dass dieses schön ist. Und dennoch müssen, wenn das Ganze, so auch die einzelnen Theile schön sein. Denn es kann doch nicht aus Hässlichem bestehen, sondern die Schönheit muss alle Theile ergriffen haben. Ebenso werden für die Anhänger dieser Annahme die schönen Farben sowie auch das Sonnenlicht als einfache und solche Dinge, die ihre Schönheit nicht in Folge der Symmetrie haben , ausserhalb des Schönheits-Bereiches liegen. Wie soll dann das Gold schön sein? Oder wodurch der Blitz, der durch die Nacht hin gesehen wird? Desgleichen wird auf dem Gebiete der Töne das Einfache nicht in Betracht kommen, obwohl oftmals von den Tönen einer schönen Gesammtmelodie jeder einzelne musikalische Ton auch an und für sich schön ist. Und wenn nun ferner, ohne dass die eine Symmetrie geändert würde, dasselbe Gesicht bald schön bald nicht erscheint, muss man da nicht sagen, dass das Schöne noch in etwas anderem als dem Symmetrischen besteht und dass das Symmetrische selbst durch etwas anderes schön ist? Und wenn man nun im weiteren sich zu den Einrichtungen und schönen Reden wendet und auch hierbei das Symmetrische als Grund des Schönen hinstellen wollte, wie kann bei schönen Einrichtungen, Gesetzen, Kenntnissen und Wissenschaften von Symmetrie die Rede sein? Wie können Gegenstände der Theorie zu einander in symmetrischen Verhältnissen stehen? Etwa weil eine Uebereinstimmung zwischen ihnen stattfindet? So hat auch das Schlechte seine Gleichartigkeit und Uebereinstimmung. So stimmt z.B. mit der Behauptung, massvolle Selbstbeherrschung sei Einfalt, jene andre überein,
die Gerechtigkeit sei eine edle Gutmüthigkeit. Beide Behauptungen stehen miteinander in Einklang und entsprechen sich.
Nun ist Schönheit der Seele jedwede Tugend und zwar eine solche, die der wahren Schönheit viel näher stellt als die im Vorigen erwähnten Arten derselben. Aber wie sind sie symmetrisch? Doch weder als Grössen, noch als Zahlen, obgleich es mehrere Theile der Seele giebt. Denn in welchem Verhältniss soll die Zusammensetzung oder Mischung der Theile oder Vorstellungen zu einander stehen? Und worin soll die Schönheit der in sich selbst als ihrer Einheil versunkenen Vernunft bestehen?


Ezequiel Martins Paz
Tradução do texto alemão de Hermann Friedrich Müller, 1878.
Palavras entre [] são do Autor Alemão
Palavras entre {} do Tradutor.

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