sexta-feira, 31 de julho de 2009

EPICTETO - MANUAL DA MORAL ESTÓICA - Parte 01

EPICTETO (50 - 125) INTRODUÇÃO

Epicteto é um Filósofo muito interessante. Ele merece nossa admiração, pois foi um escravo, e mesmo assim, recebeu autorização para assistir as aulas de Caio Musônio Rufo, um cavaleiro romano que ensinava o estoicismo. Após ser liberto, Epicteto se tornou um dos mais famosos representantes da escola Estóica ao lado de Sêneca e Marco Aurélio.

O estoicismo era uma escola filosófica que surgiu aproximadamente em 300 antes de Cristo, ou seja, Bem depois de Sócrates e da era de Platão e Aristóteles. Esta época é conhecida na filosofia por Helenismo. O diferencial desta época, é que nela não mais se focava preferencialmente a natureza como nos Pré-socráticos, nem as teorias do conhecimento como em Sócrates, Platão e Aristóteles, mas sim a sabedoria que pudesse levar o homem a definir ele mesmo através do seu intelecto o destino de sua vida e os caminhos morais e éticos dignos de serem vividos. Isto não quer dizer que os filósofos helenistas haviam desconsiderado a filosofia clássica de seus antepassados, no entanto, todos os conhecimentos obtidos, como metafísica, física, lógica, dialética, ganharam então um caráter prático.

O Estoicismo teve grande influência no cristianismo, dado ao seu caráter determinista e sua valorização do autocontrole, da submissão e da austeridade.

Epicteto não deixou nada escrito e a obra que vamos traduzir como o nome, Manual da Moral Estóica (Enchiridion), foi compilada de anotações por um de seus alunos Flavius Arrianus. Fizeram dela uso os cristãos do Século V e depois deles, Descartes, Montaigne e Pascal.

NOSSA PROPRIEDADE.

1.1_Algumas coisas estão em nosso poder, outras não. Em nosso poder estão: Opinião, Ímpeto, Desejo, Aversão: em resumo: Tudo, que é nossa própria obra. -Não estão em nosso poder: Corpo, patrimônio, reputação, funções, em resumo: Tudo, que não é nossa própria obra.

Unser Eigenthum.

I, 1. Einige Dinge sind in unserer Gewalt, andere nicht. In unserer Gewalt sind: Meinung, Trieb, Begierde, Widerwille: kurz: Alles, was unser eigenes Werk ist. - Nicht in unserer Gewalt sind: Leib, Vermögen, Ansehen, Aemter, kurz: Alles, was nicht unser eigenes Werk ist.

VANTAGENS DA PROPRIEDADE.

1.2_E as coisas, que estão em nosso poder, são por natureza livres; elas não podem ser evitadas, nem serem acorrentadas. Mas as coisas, que não estão em nosso poder, são fracas, e totalmente dependentes; elas podem ser evitadas e alienadas.

Vorzüge des Eigenthums.

I, 2. Und die Dinge, welche in unserer Gewalt stehen, sind von Natur frei; sie können nicht verhindert, noch in Fesseln geschlagen werden. Die Dinge aber, welche nicht in unserer Gewalt stehen, sind schwach, und völlig abhängig; sie können verhindert und entfremdet werden.

CONFUSÃO POR EQUÍVOCO.

1.3_Pressupondo agora, que tu vejas coisas as quais por natureza são totalmente dependentes, como livres, e o alheio como propriedade, então não te esqueças, que irás esbarrar em obstáculos, cair em tristeza e ansiedade, e acusarás Deuses e homens. Mas se tu somente, o que é verdadeiramente teu, consideras como tua propriedade, mas o alheio assim, como de fato é, como alheio, então ninguém nunca jamais te coagirá, ninguém te atrapalhará; tu não irás insultar ninguém, não acusarás ninguém, não farás nada contra a vontade, ninguém te magoará, tu não terás nenhum inimigo, em resumo; tu não sofrerás nenhum mal.

Verwirrung aus Verwechslung.

I, 3. Wofern du nun Dinge, die von Natur völlig abhängig sind, für frei, und Fremdes für Eigenthum ansiehst, so vergiß nicht, daß du auf Hindernisse stoßen, in Trauer und Unruhe gerathen, und Götter und Menschen anklagen wirst. Wenn du aber nur, was wirklich dein ist, als dein Eigenthum betrachtest, das Fremde aber so, wie es ist, als Fremdes, so wird dir niemand je Zwang anthun, niemand wird dich hindern; du wirst keinen schelten, keinen anklagen, wirst nichts thun wider Willen, niemand wird dich kränken, du wirst keinen Feind haben, kurz: du wirst keinerlei Schaden leiden.

NADA PELA METADE!

1.4_Se tu entretanto ambicionas tão grandes {coisas}, pensa então, que não deves com meia dedicação te esforçar por isto, mas deves renegar totalmente algumas coisas, e outras por agora prorrogar. Mas supondo que tu desejas tanto aquilo, como também comandar e tornar-te rico, então irás tu muito provavelmente nem alcançar esta última, exatamente porque ao mesmo tempo te esforças pela primeira. Mas desencontrarás completamente aquela, da qual unicamente brotam liberdade e felicidade.

Keine Halbheit!

I, 4. Wenn du nun so Großes begehrst, so bedenke, daß du nicht mit halbem Eifer darnach greifen, sondern einiges völlig verleugnen, anderes für jetzt aufschieben mußt. Wofern du aber sowohl jenes begehrst, als auch herrschen und reich sein willst, so wirst du vielleicht nicht einmal dieses letztere erlangen, gerade weil du zugleich nach dem ersteren strebst. Gänzlich verfehlen aber wirst du dasjenige, woraus allein Freiheit und Glückseligkeit entspringt.

COISAS EXTERIORES – O QUE ELAS TE INTERESSAM?

1.5_Esforça-te, a combater qualquer imaginação desagradável imediatamente com as palavras: tu és somente uma imaginação, e absolutamente não aquilo, pelo qual tu te apresentas. Então examina a mesma, e testa-a segundo as regras, que tu tens, a saber primeiro e preferivelmente conforme aquela, se isto diz respeito a algo, que esta em nosso poder, ou a algo, que não está em nosso poder; e se diz respeito a algo, que não estão em nosso poder, então diga todas às vezes de imediato; não me interessa!

Aeußere Dinge - was gehen sie dich an?

I, 5. Bestrebe dich, jeder unangenehmen Vorstellung sofort zu begegnen mit den Worten: du bist nur eine Vorstellung, und durchaus nicht das, als was du erscheinst. Alsdann untersuche dieselbe, und prüfe sie nach den Regeln, welche du hast, und zwar zuerst und allermeist nach der, ob es etwas betrifft, was in unserer Gewalt ist, oder etwas, das nicht in unserer Gewalt ist; und wenn es etwas betrifft, das nicht in unserer Gewalt ist, so sprich nur jedesmal sogleich: Geht mich nichts an!

Tradução Ezequiel Martins Paz

Tradução do texto em alemão de Carl Conz, Handbüchlein der stoischen Moral, 1864.

Palavras entre [] são do Autor Alemão

Palavras entre {} do Tradutor.

Nomes próprios não são traduzidos.

Direitos Autorais conforme Lei Nº 9.610, de Fevereiro de 1998.

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