terça-feira, 28 de julho de 2009

CARACTERÍSTICAS DA LINGUA ALEMÃ

CARACTERÍSTICAS DA LINGUA ALEMÃ

Neste artigo, pretendo apresentar a língua alemã. No entanto, desde já gostaria de deixar claro que, estou apresentando a língua alemã, da perspectiva de um leigo e não um germanista. Minha intenção é apontar, resumidamente, alguns pontos da língua alemã que a fazem diferente e singular. Com isto, o leitor deste Blog, estará mais apto a valorizar as traduções e igualmente compreender as dificuldades deste processo.

A língua alemã (Deutsch) é de origem Indo-européia, do grupo ocidental de línguas germânicas como o inglês, holandês e as línguas escandinavas. A língua alemã que conhecemos atualmente se distanciou das outras línguas germânicas através de uma mutação no som de suas palavras. Esta mutação é conhecida atualmente por “segunda mutação consonântica germânica”, já que a primeira mutação foi a que gerou a ruptura com a língua indo-germânica original, mas não se sabe ao certo que língua original é esta. Podemos notar ainda atualmente alguns aspectos desta segunda mutação quando comparamos algumas palavras entre a língua alemã e o inglês:

Pound - Pfund (Meio quilo),

Pipe - Pfeife (Cachimbo),

Hope - hoffen (Esperança),

Apple - Apfel (Maçã),

Cat - Katze (Gato),

Heart - Herz (Coração),

Make - machen (Fazer).

Até a idade média, a língua alemã estava dividida em um grande número de dialetos que, em alguns casos, eram incompreensíveis uns para os outros. Como também o próprio país estava dividido em muitos pequenos estados independentes, não havia uma força unificadora e nem um interesse de unificação da língua. Isto começou a mudar quando Martinho Lutero traduziu a Bíblia (Novo Testamento em 1521, Velho Testamento em 1534) na linguagem do povo. O dialeto que ele utilizou na sua tradução, se tornou mais tarde a língua alemã clássica (Hochdeutsch) que temos hoje. Uma das principais características da língua alemã é sua essência aglutinativa.

Existem basicamente dois tipos de línguas: analíticas e aglutinativas. As línguas analíticas têm como característica principal, a necessidade de certa ordem das palavras na frase, para que a frase traga finalmente um sentido. O inglês é tipicamente analítico. Por exemplo, a frase: The rat ate the cheese (o rato comeu o queijo), não tem o mesmo significado de The cheese ate the rat (o queijo comeu o rato), se bem que, nas duas frases temos as mesmas palavras. Já em uma língua aglutinativa, como na língua alemã, no Grego e no Latim, os substantivos, os artigos, os verbos, os adjetivos e os pronomes sofrem uma declinação gramatical (na maioria das vezes uma pequena alteração ou adição nas ultimas letras), e assim, é possível alterar, de várias maneiras, a ordem das palavras na frase, sem alterar o seu sentido final. Explicando em outras palavras, as declinações são pequenas alterações que acontecem no final das palavras, caracterizando-as na frase como ativas ou passivas, etc.

Veja este exemplo:

Der Junge hat seinem Bruder das Buch mitgebracht.

Der Junge hat das Buch seinem Bruder mitgebracht.

Seinem Bruder hat der Junge das Buch mitgebracht.

Todas estas três frases, apesar da variação na posição das palavras, têm o mesmo sentido:

O jovem trouxe o livro ao seu irmão.

Como outra peculiaridade o Alemão apresenta também: Três gêneros (masculino, feminino, neutro), e a possibilidade muito utilizada de se formar palavras utilizando-se a conexão de duas ou mais palavras. Ex.

Haus (casa),

Tür (porta),

Haustür (Porta da casa).

Esta característica permite aos filósofos alemães criarem palavras “monstruosas” que se tornam muito difíceis para se traduzir no português.

Ex. “Sichhineinhaltend”

Esta palavra utilizada pelo filósofo Martin Heidegger no texto “O que é metafísica”, é composta de:

pronome reflexivo “sich” (a si mesmo),

adjetivo “hinein” (para dentro),

verbo “halten” (segurar), no caso acima declinado.

Para esta palavra, uma tradução aproximada seria “se segurando para dentro” ou “se mantendo lá para dentro”, no entanto, outras traduções também seriam possíveis. Estas conexões de palavras soam estranhas no português, mas são facilmente compreensíveis na língua alemã, pois utilizam palavras cotidianas conectadas.

No entanto, estas simples características que apresentamos acima fazem da gramática alemã, algo muito difícil para os estrangeiros. Porem, estas mesmas características, permitem que os pensadores, filósofos, poetas e cientistas alemães tenham a liberdade de se expressar com quase absoluta precisão, e pouquíssima ambigüidade.

Como último fator singular da língua alemã, gostaria de destacar a lógica na formação das frases. Quando no português, se deseja expressar uma pergunta, depende-se, ao falar, de uma acentuação tonal na última palavra da frase (ou seja, levantamos a voz), e ao escrever, necessitamos do ponto de interrogação, para diferenciarmos entre uma pergunta e uma afirmação. Na língua alemã nada disto é necessário, se bem que o ponto de interrogação é também utilizado. Nela fica evidente que alguém está expressando uma pergunta, simplesmente porque neste caso, o verbo se desloca da segunda posição para a primeira posição da frase. Ex.: “você tem fome”, pode significar no português, uma afirmação ou uma pergunta, dependendo da acentuação tonal, e da pontuação no final da frase. Já na língua alemã, ao se colocar o verbo na primeira posição da frase “tem você fome” identifica-se a frase como uma pergunta.

Ainda falando da formação lógica das frases na língua alemã, gostaria de salientar o balanceamento dos importantes elementos da frase entre o início e o fim da frase. Ou seja, na língua alemã, os elementos mais importantes de uma frase ou ficam no início ou no fim da frase, sendo que, no entremeio ficam as informações adicionais.

Ex.: “Ich fahre nach São Paulo” (Eu vou para São Paulo), O que deve ser destacado é o sujeito "Ich"(Eu) e o destino "São Paulo". Sendo assim, no Alemão, todas as informações adicionais como, quando, porque, como eu vou e a localização específica para onde vou, aparecem na frase, depois do sujeito e antes do destino. Mais ou menos assim no português: Eu vou, amanhã de carro participar do aniversário da vovó em Sorocaba, para São Paulo.

No entanto não é obrigatoriamente necessário que o sujeito esteja no início da frase, mas sim, aquilo que ser deseja destacar.

Estas são somente algumas características da língua alemã que a fazem especial, e muito difundida entre os meios intelectuais e acadêmicos. É necessário entretanto salientar mais uma vez, que este artigo apresenta, a complexa língua alemã, de uma forma extremamente resumida e simplificada, visando principalmente com isto, de um lado, que o leitor possa compreender melhor as dificuldades por de trás de uma tradução, e por outro, reconhecer a profundidade e a flexibilidade desta língua.

Ezequiel Martins Paz

Um comentário:

  1. Muito interessante sua descrição sobre a língua alemã. Tenho muito interesse em aprender esse idioma e poder ler as obras dos grandes filósofos alemães no original.

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